Igor G. Barbero.

Islamabad, 16 fev (EFE).- Pelo menos 30 pessoas morreram na madrugada de hoje em um novo ataque de aviões não tripulados americanos contra alvos fundamentalistas nas áreas tribais do Paquistão, o segundo destas características em apenas dois dias.

Quatro mísseis lançados por aviões dos Estados Unidos atingiram a casa de um suposto comandante talibã na área de Sarpal, no sul da região tribal de Kurram, matando 30 pessoas, segundo a imprensa paquistanesa.

No sábado passado, outras 30 pessoas, a maioria insurgentes uzbeques, morreram em uma ação militar similar, registrada na demarcação do Waziristão do Sul, reduto do líder dos talibãs paquistaneses, Baitullah Mehsud.

Este é o primeiro ataque contra os grupos islamitas de Kurram perpetrado por aviões não tripulados, que até agora lançavam seus mísseis principalmente nas zonas tribais do Waziristão do Sul e do Norte.

Estes ataques geram uma forte rejeição popular no Paquistão e críticas das autoridades políticas, mas fontes militares e de inteligência paquistanesas reconheceram à Agência Efe que existe um acordo entre Paquistão e EUA.

Na sexta-feira passada, a senadora americana Dianne Feinstein chegou a afirmar que os aviões partem de uma base aérea situada em território paquistanês.

Uma fonte da inteligência ocidental explicou à Efe que na cidade de Peshawar, capital da Província da Fronteira do Noroeste (NWFP), se encontra o centro de operações da CIA (agência central americana) para lançar os ataques.

"É evidente que (os EUA) contam com a autorização e que estão ampliando seus alvos e sua informação no terreno", disse hoje à Efe outra fonte da inteligência ocidental.

"Em Kurram há muitos xiitas, e também uma grande presença de talibãs perto da fronteira com Kohat (sul da demarcação)", ressaltou a fonte, que acrescentou que estes ataques pontuais têm sempre alvos precisos, geralmente contra "estrangeiros".

Este é o terceiro ataque registrado desde a posse de Barack Obama, que considera a fronteira entre Afeganistão e Paquistão uma frente prioritária na luta contra o terrorismo internacional.

Segundo fontes militares e de inteligência, tanto as áreas tribais como várias regiões da NWFP se transformaram em refúgio de diversos grupos talibãs e de membros da rede terrorista Al Qaeda, que se movimentam com relativa facilidade pelo terreno.

Uma das regiões onde os fundamentalistas têm mais influência, embora esteja fora das zonas tribais, é o Vale do Swat (norte), cujas montanhas foram no passado um importante atrativo turístico do Paquistão, mas que desde 2007 sofreu uma forte queda da segurança e hoje é palco de intensos combates entre as forças de segurança e a insurgência talibã.

Autoridades paquistanesas chegaram hoje a um acordo com um grupo islamita para implantar um sistema de Justiça baseado na 'sharia' (lei islâmica) na região noroeste de Malakand, que será aplicado quando a paz foi restaurada no Vale do Swat.

"O acordo se restringe a uma área muito reduzida e o Paquistão não deixa de ser um Estado islâmico. Não é algo tão problemático.

Mas a paz requer ainda um longo caminho, porque grupos irredutíveis continuarão atuando", expôs à Efe uma fonte da inteligência.

Em um gesto de "boa vontade" em direção ao Governo, os talibãs já tinham declarado ontem um cessar-fogo de 10 dias no Vale do Swat.

EFE igb/mh

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