EUA iniciam regularização de haitianos em situação ilegal no país

María Peña. Washington, 21 jan (EFE).- Os Estados Unidos abriram hoje o prazo de inscrição do status de proteção temporária (TPS, em inglês) para os entre 100 e 200 mil haitianos que vivem ilegalmente no país.

EFE |

Durante os próximos 180 dias, os haitianos que imigraram ilegalmente poderão solicitar o TPS, dado pelos EUA como gesto humanitário àqueles que não podem voltar aos seus países por conflitos armados ou desastres naturais.

O status de proteção temporária só beneficiará os haitianos que já se encontravam nos EUA no último dia 12, dia em que o terremoto de 7 graus na escala Richter deixou dezenas de milhares de mortos, feridos e desabrigados.

"Não aceitaremos nos Estados Unidos haitianos que tentarem chegar ao país por via marítima. Serão interceptados e repatriados", advertiu hoje a secretária de Estado, Hillary Clinton, após uma reunião com a chefe de diplomacia da União Europeia (UE), Catherine Ashton.

Em declarações à Agência Efe, Luz Irazabal, porta-voz do escritório de serviços de imigração e cidadania (USCIS, em inglês), disse que não há nenhum indício de um êxodo em massa.

Segundo Irazabal, calcula-se que entre 100 e 200 mil haitianos são "elegíveis" para o TPS, que permite aos beneficiados viver e trabalhar legalmente nos EUA durante 18 meses. Cerca de 30 mil haitianos já tinham ordens de deportação imediata.

O gasto para solicitar o TPS será de US$ 470, valor que inclui o trâmite dos formulários, o processamento de dados biométricos e a licença de trabalho. Apenas o documento custa US$ 340.

Além do TPS, a secretária de Segurança Nacional, Janet Napolitano, também autorizou um programa para a entrada de crianças haitianas órfãs no país.

No Haiti, as autoridades dos EUA concentram esforços para sepultar os milhares de mortos e prevenir doenças.

Jon K. Andrus, diretor-adjunto da Organização Pan-americana da Saúde (OPS), disse hoje em entrevista coletiva que a prioridade é evitar a propagação de doenças contagiosas como tifóide, cólera e febre amarela.

Outra meta imediata é a reabertura total do porto da capital haitiana, Porto Príncipe, que ainda necessita de consertos.

"Estamos trabalhando nisso. Não é algo que conseguiremos da noite para o dia e não podemos informar quando estará completamente operacional", disse à Agência Efe David Schuhlein, porta-voz da Guarda Costeira dos EUA.

Já o subsecretário de Defesa, William Lynn, disse hoje em Washington que as autoridades militares continuam tentando agilizar a distribuição dos carregamentos ao país em mais de 150 voos diários.

Segundo o general Douglas Fraser, chefe do Comando Sul dos EUA, ainda há uma lista de espera de 1.400 voos para o Aeroporto Internacional Toussaint L'Ouverture.

Os trabalhos de resgate e reconstrução se complicam devido às contínuas réplicas do tremor no Haiti. Hoje mesmo o problema obrigou as equipes de socorro a abandonar brevemente seus trabalhos na área do desastre, enquanto os desabrigados se lançavam novamente às ruas.

Equipes de busca e resgate da Flórida e de países como Bélgica, Luxemburgo e Reino Unido começaram deixar o Haiti, dando espaço aos trabalhos de reconstrução em longo prazo.

Mais de 13 mil soldados americanos participam da missão humanitária no Haiti, sendo 10 mil em navios e outros 3 mil em terra firme. Segundo o Pentágono, este número pode chegar a 20 mil no domingo.

O terremoto de 7 graus aconteceu às 19h53 (Brasília) do dia 12 e teve epicentro a 15 quilômetros da capital, Porto Príncipe. Em declarações à Agência Efe, o premiê haitiano, Jean Max Bellerive, disse que o número de mortos superará 100 mil.

O Exército brasileiro informou que 18 militares do país que participavam da Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti (Minustah) morreram em consequência do terremoto.

Entre os civis - além da médica Zilda Arns, fundadora e coordenadora da Pastoral da Criança, e de Luiz Carlos da Costa, o segundo civil mais importante na hierarquia da ONU no Haiti -, foi informado ontem que outra mulher também morreu no tremor, aumentando para 21 o número total de vítimas brasileiras. EFE.

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