EUA indiciam supostos espiões russos

Anúncio ocorre no momento em que fontes mencionam possibilidade de troca dos suspeitos por espiões dos EUA presos na Rússia

iG São Paulo |

Os Estados Unidos indiciaram nesta quarta-feira os dez suspeitos detidos no mês passado em Nova York, Massachusetts e Virgínia, acusando-os de serem agentes secretos da Rússia.

A procuradoria de Nova York, que passou a se ocupar de todos os casos - incluindo os dois de Massachusetts e três da Virgínia - absteve-se de apresentar acusações por "espionagem" propriamente dita, passíveis de prisão perpétua.

Todos foram acusados de trabalhar como "agentes secretos" para um governo estrangeiro, cargo passível de até cinco anos de prisão, e nove deles por lavagem de dinheiro, por conta da retribuição financeira que recebiam (máximo de 20 anos).

O traslado a Nova York do casal Mikhaïl Koutzik e Natália Pereverzeva, assim como Mikhaïl Semenko, os três detidos em Virgínia, tinha sido anunciado pouco antes por um porta-voz da procuradoria. Simultaneamente, a procuradoria de Boston revelou que a mesma medida tinha sido adotada em Massachusetts para Donald Howard Heathfield e Tracey Lee Ann Foley.

Os outros cinco casos de supostos agentes secretos presos no mês passado nos Estados Unidos já estão sob jurisdição do tribunal de Nova York. Um suspeito número 11, Christopher Metsos, que também foi acusado nesta quarta-feira nos Estados Unidos, fugiu na semana passada no Chipre e continua foragido.

Troca

O anúncio ocorre em um momento em que fontes de Moscou - não confirmadas oficialmente - mencionam a possibilidade de uma troca dos suspeitos por espiões dos Estados Unidos presos na Rússia.

Anna Stavítskaya, advogada do cientista russo Igor Sutiaguin, que cumpre na Rússia uma condenação de 15 anos por espionagem, informou que seu cliente será deportado para a Grã-Bretanha em troca de uma pessoa presa nesse país.

AP
Cientista russo Igor Sutyagin é visto atrás das grades enquanto houve sentença por espionagem em corte de Moscou, Rússia (07/04/2004)
"Sutiaguin será enviado à Inglaterra em troca de uma pessoa que será entregue à Rússia", disse a advogada à agência oficial russa "Itar-Tass", acrescentando que a mudança de país do cientista poderia acontecer na quinta-feira.

O cientista, empregado do Instituto dos EUA e Canadá adjunto à Academia de Ciências da Rússia, foi preso em 27 de outubro de 1999 sob a acusação de entregar documentação militar secreta ao Ocidente. Sutiaguin foi declarado culpado de "alta traição" em favor dos EUA em processo realizado em 2004 e repleto de irregularidades, segundo a Anistia Internacional, que classificou o cientista de "preso político".

A advogada informou que Sutiaguin já foi levado de seu centro penitenciário a Moscou, onde pode ser visitado por seus familiares, que disseram que sua deportação é parte de uma troca entre um grupo de espiões ocidentais por russos.

Segundo Stavítskaya, "11 pessoas serão trocadas por outras 11, e Sutiaguin é uma delas. É o que contou a seus pais". "Por enquanto não fica claro quem são essas pessoas e por quem serão trocadas", disse advogada à "Interfax". A advogada afirmou que Sutiaguin não descarta que entre os 11 espiões estejam os dez recentemente detidos nos EUA por pertencer, supostamente, a uma rede que espionava para Rússia.

A imprensa afirma que as autoridades dos EUA propõem um trato com esses dez presos, parte dos quais já reconheceram ter identidade e documentação falsa e trabalhar para Moscou.

Pelo trato, eles reconheceriam a culpa por delitos menores em troca de penas mais suaves e sua posterior deportação à Rússia, o que permitiria aos EUA evitar uma cadeia de longos processos nos quais poderia tornar publicas informações confidenciais sobre os métodos de trabalho dos serviços secretos americanos.

Além disso, tal solução, segundo a imprensa, permitiria a Washington e Moscou fechar o embaraçoso caso de espionagem, que escurece a nova etapa de suas relações bilaterais e poderia prejudicar a ratificação nos EUA do novo tratado de desarmamento nuclear.

Com AFP e EFE

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