EUA: Imprensa dá dicas a clientes de bancos que podem falir denunciando a crise

Desde o desaparecimento do IndyMac, a imprensa americana vem multiplicando seus conselhos aos consumidores sobre as medidas que podem adotar caso o banco onde possuem conta venha a falir: dicas que podem até ser úteis, mas que refletem a preocupação crescente das famílias com a crise.

AFP |

As televisões americanas divulgaram nesta semana imagens traumatizantes da falência do banco californiano: centenas de correntistas enfrentaram filas quilométricas nos caixas do IndyMac para sacar suas economias, preocupados, apesar do socorro do governo.

Estas cenas perturbadoras para o público americano motivaram dezenas de jornais e revistas, desde os locais e gratuitos do metrô até os de grandes tiragens no país, a publicar longos artigos sobre o tema: "O que fazer se seu banco falir?".

Alimentando os temores, os analistas especulam sobre a sorte de cerca de 100 bancos que podem fechar. O organismo que garante os depósitos bancários, a FDIC, reconheceu que está de olho em 90 bancos em dificuldades, mas não divulgou nomes, para evitar preocupações maiores entre os clientes.

Os jornais falam há dois dias sem hesitar nos piores cenários, tentando desmistificar os casos.

Eles explicam, desta forma, que os riscos são limitados para um correntista que tem menos de US$ 100.000 em depósitos, o teto garantido pelas autoridades federais, mas admitem que, sim, outros bancos podem cair.

"Você não precisa sacar seu dinheiro se você tem menos de US$ 100.000 no banco, porque este é o limite protegido pelo organismo de segurança federal", destacou o site do canal FoxBusiness.

"Meu dinheiro está protegido no banco?", perguntou o Chicago Tribune, dando exemplos.

"Como sobreviver a crises dos bancos? Confie neles se você tem menos de US$ 100.000. Se você tem mais, divida em dois bancos", indicou o AM, jornal gratuito do metrô nova-iorquino.

"Todos os que têm depósitos superiores ao limite garantido devem dividi-los em vários bancos", recomendou também a FoxBusiness. Outro truque, dividir os fundos em vários nomes, por exemplo uma conta pessoal, uma conta conjunta e uma conta para o cônjuge.

"Isto obriga a comprar novos talões de cheques e pagar novas taxas, mas é pouco, se comparado à tranqüilidade em caso de falência de seu banco", resumiu a FoxBusiness.

Em cinco perguntas, como "O que acontece se meu banco falir? O que fazer se meus depósitos excederem o limite assegurado?", o San Francisco Chronicle afirmou: "você não deve se preocupar..., mesmo se você tiver ligeiros inconvenientes em caso de falência de seu banco".

O jornal californiano escreveu que, para os depósitos acima de US$ 100.000, em média, os clientes dos bancos que faliram nos doze últimos meses recuperaram 72% de seus fundos".

A associação americana dos bancos (ABA) não vê nenhum movimento de pânico entre os consumidores. "Se muitos consumidores questionassem seus banqueiros, nós saberíamos", comentou Jim Eberle, porta-voz da ABA.

Já os mercados entraram em pânico nos últimos dias, com a desvalorização absurda de bancos como o Washington Mutual e o National City. Os valores bancários voltaram a se recuperar lentamente na quarta-feira, um pouco tranqüilizados pelos resultados do Wells Fargo, em queda, mas melhor que o previsto.

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