EUA identificam soldados que teriam urinado em corpos afegãos

Exército não divulgou nome de militares que aparecem em vídeo profanando corpos de integrantes do Taleban

iG São Paulo |

O Exército dos Estados Unidos identificou todos os quatro soldados americanos que aparecem em um vídeo aparentemente urinando em corpos de afegãos, informaram autoridades do país nesta sexta-feira. Dois homens já foram interrogados por oficiais da Marinha que investigam o vídeo, divulgado na internet e condenado pelos governos de EUA e Afeganistão, além do grupo militante Taleban.

Os nomes dos soldados não foram divulgados. Eles serviam na província de Helmand e integravam um batalhão com base em Camp Lejeune, na Carolina do Norte.

O vídeo mostra quatro homens em uniformes militares aparentemente urinando em três corpos de homens descalços, um deles coberto de sangue. É possível ouvir a voz de um homem dizendo: “Tenha um ótimo dia, amigo." Os soldados parecem estar cientes de que estão sendo filmados.

Na quinta-feira, o secretário da Defesa dos EUA, Leon Panetta, caracterizou o vídeo de "completamente deplorável" e afirmou que aqueles que participaram do incidente seriam responsabilizados "totalmente".
Panetta afirmou ter ordenado que o comandante das forças dos EUA e da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) no Afeganistão investigue o incidente.

O porta-voz do Pentágono, John Kirby, disse que o comportamento mostrado no vídeo é “inaceitável”. “Tais ações não consistem com nossos valores e não são representativos do caráter do Exército americano. Faremos uma investigação completa”, prometeu, em comunicado.

Em uma declaração, o presidente do Afeganistão, Hamid Karzai afirmou: "O governo do Afeganistão está profundamente perturbado pelo vídeo que mostra soldados americanos profanando corpos de três afegãos. Esse ato é simplesmente inumano e condenável nos termos mais fortes possíveis. Claramente pedimos ao governo dos EUA para investigar urgentemente de vídeo e impor a punição mais severa aos responsáveis por esse crime."

O Taleban também condenou o vídeo. O porta-voz do grupo, Qari Yousuf Ahmadi, disse à BBC que essa não foi a primeira vez que os americanos realizaram uma "ação selvagem", afirmando que os ataques contra os EUA continuarão.

Mas Zabihullah Mujahid, um diferente porta-voz da milícia, disse à agência Reuters que o vídeo "não faz parte do processo político, então não atrapalhará as negociações (de paz do grupo com a comunidade internacional) e a troca de prisioneiros porque as duas coisas estão no estágio preliminar".

As forças da Otan divulgaram um comunicado dizendo que as ações mostradas no vídeo são “inexplicáveis e não condizem com o alto padrão moral” dos soldados. O comunicado informa que as ações “parecem ter sido realizadas por um grupo de indivíduos americanos que aparentemente já não estão servindo no Afeganistão”.

Negociações

Na semana passada, o Taleban anunciou um acordo com o governo do Catar que permitirá a abertura de um escritório político no país. A medida é considerada um passo importante para um avanço nas negociações de paz entre o grupo afegão e a comunidade internacional, após mais de dez anos de guerra.

De acordo com Mujahid, o escritório, que ainda não tem data para ser aberto, conduzirá negociações com a comunidade internacional. Para os EUA e seus aliados, a criação de um escritório político para o Taleban se tornou um elemento central para permitir as negociações com os insurgentes.

A Otan e o presidente americano, Barack Obama, concordaram que as tropas de combate estrangeiras no Afeganistão voltem para casa até o fim de 2014. O Ocidente, no entanto, prometeu apoio para depois dessa data na forma de fundos e treinamento para as forças de segurança afegãs.

O dia 7 de outubro de 2011 marcou os dez anos desde o início da campanha militar dos EUA no Afeganistão, lançada após os ataques do 11 de Setembro de 2011 nos EUA, que ajudou a derrubar o governo linha dura do Taleban.

O andamento da guerra no Afeganistão tem sido bastante polêmico e ambos os lados alegam ter vencido. A violência se disseminou para as regiões norte e oeste, que já foram pacíficas, e os insurgentes executaram uma série de assassinatos, entre eles o do ex-presidente afegão Buhanuddin Rabbani, mediador de paz do governo com o Taleban.

Com AP, BBC e AFP

    Leia tudo sobre: afeganistãoeuatalebanguerraotan

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG