EUA frustram suposto plano do Irã de matar embaixador saudita

O Departamento do Tesouro prometeu punir quatro suspeitos de envolvimento no plano com sanções

iG São Paulo |

Autoridades americanas afirmaram nesta terça-feira que frustraram planos de "um grande atentado terrorista nos Estados Unidos", no qual agentes ligados ao Irã assassinariam o embaixador da Arábia Saudita em Washington, Adel al-Jubeir.

AP
O promotor-geral Eric Holder (esquerda) e o diretor do FBI Robert Mueller dão entrevista coletiva no Departamento de Justiça dos EUA
O promotor-geral Eric Holder afirmou, em entrevista coletiva concedida no Departamento de Justiça, que dois homens foram acusados em Nova York de conspiração contra oficial estrangeiro, e um admitiu ter participação no caso. Segundo Holder, o plano foi "concebido" no Irã pelas forças Quds, parte da Guarda Revolucionária Iraniana.

Ele detalhou que o planejamento foi "concebido, patrocinado e dirigido pelo Irã".

De acordo com a Reuters, o plano não só envolvia o assassinato de Adel al-Jubeir, como também a explosão das embaixadas saudita e israelense nos EUA.

Os dois acusados são Manssor Arbabsiar, 56 anos, naturalizado americano; e Gholam Shakuri, membro da Guarda Revolucionária Iraniana. Holder disse que Arbabsiar foi preso em 29 de setembro no aeroporto internacional John F. Kennedy, em Nova York, mas Shakuri permanece no Irã.

Segundo a promotoria, Arbabsiar contatou sem saber um informante americano do Departamento de Narcóticos que fingia ser um membro de cartel de drogas mexicano para perguntar-lhe sobre seus conhecimentos sobre explosivos. Depois de diversos encontros no México, gravados secretamente por autoridades americanas, Arbabsiar ofereceu US$ 1,5 milhão pelo assassinato, que provavelmente seria concretizado em um restaurante.  Ele realizou um pagamento no valor de US$ 100 mil feitos a partir de uma conta estrangeira.

O porta-voz da Casa Branca Tommy Vietor disse que as primeiras informações sobre o plano foram passadas ao presidente Barack Obama em junho deste ano. "O rompimento desse plano foi uma conquista significativa da inteligência e das agências de segurança, e o presidente está imensamente agradecido por seu trabalho excepcional", disse.

Obama telefonou ao embaixador saudita para manifestar sua solidariedade diante da suposta conspiração para assassiná-lo, informou a Casa Branca.

"O presidente Obama destacou que os EUA acreditam que essa conspiração é uma flagrante violação da lei americana e internacional", disse um alto funcionário da Casa Branca. Obama também salientou "a estreita colaboração entre EUA e Arábia Saudita".

Sanções

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, afirmou que os EUA consultarão seus aliados sobre mecanismos para "isolar mais" o Irã depois de descoberto o complô. "Algumas áreas nas quais podemos cooperar mais de perto para enviar uma forte mensagem ao Irã e isolá-lo da comunidade internacional também serão consideradas", disse, sem dar detalhes.

Reportagens da imprensa indicaram que Washington poderá buscar novas sanções no Conselho de Segurança das Nações Unidas, assim como sanções unilaterais por parte de seus aliados, da Austrália à Europa.

"Consultaremos nossos amigos e aliados ao redor do mundo sobre como podemos enviar uma forte mensagem (afirmando que) esse tipo de ações, que violam as normas internacionais, devem acabar", disse Hillary a jornalistas.

O Departamento do Tesouro informou que está impondo sanções contra quatro suspeitos - Qasem Soleimani, um comandante das forças Quds que supostamente dirigiu o plano, e Hamed Abdollahi, oficial das forças Qurds que ajudou na coordenação, além de Arbabsiar e Shakuri - de estarem relacionados ao plano de matar o embaixador. David Cohen, secretário do Tesouro, disse que as transações financeiras realizadas no plano "explicitam o risco que os bancos e outras instituições enfrentam para fazer negócios com o Irã".

Irã

Um conselheiro do presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad, rechaçou a acusação dos EUA.  "É um cenário planejado para desviar a atenção da opinião pública americana dos problemas internos dos EUA", afirmou Ali Akbar Javanfekr.

"O governo americano e a CIA têm uma ampla experiência em desviar a atenção da opinião pública dos problemas internos dos EUA. Agora, temos que esperar para saber os detalhes desse cenário planejado, para descobrir os objetivos do governo americano", insistiu Javanfekr.

Robert Mueller, diretor do FBI, afirmou na entrevista coletiva que muitas vidas poderiam ser perdidas na tentativa de assassinar o embaixador por meio de implantação de bombas nos EUA. No entanto, Preet Bharara, promotor americano em Manhattan, acrescentou que nenhum explosivo chegou a ser posicionado nos EUA e que ninguém corre perigo. "Nós não deixaremos que outros países usem nosso território como seu campo de batalha."

O Irã xiita e a Arábia Saudita sunita são os dois países mais poderosos do Oriente Médio e vem há muito tempo brigando pela influência na região. A Arábia Saudita e outros países, como Bahrein, acusou o Irã de apoiar dissidentes em seus territórios para desestabilizar o governo durante a Primavera Árabe.

A embaixada saudita afirmou em comunicado que "apreciava" os esforços dos EUA para prevenir o crime. "A trama é uma tentativa desprezível de violação das normas internacionais e não está de acordo com os princípios da humanidade", afirmou.

Arbabsiar, que deve comparecer à corte nesta terça, pode ser setenciado à prisão perpétua se for condenado por todas as acusações, afirmou o Departamento de Justiça.

A queixa apresentada no tribunal federal afirma que Arbabsiar confessou que seu primo Abdul Reza Shahlai era um alto membro das forças Quds e que foi ele quem sugeriu a contratação de alguém dos cartéis de drogas para atingir Al-Jubeir. Shahlai foi identificado pelo Departamento do Tesouro em 2008, durante o governo de George W. Bush, como um dos autores do ataque em Karbala, no Iraque, em 2007, que deixou cinco soldados americanos mortos e três feridos.

Com AP, AFP e EFE

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