EUA finalizam controvertida operação militar em base do Equador

Os Estados Unidos iniciaram a retirada militar da base de Manta, no Equador, com a realização de seu último voo antinarcóticos nesta sexta-feira, antes do fechamento definitivo da base instalada no país sul-americano. Principal centro das operações dos EUA na região há pelo menos uma década, a concessão para a manutenção da base militar, instalada em 1999 no Estado de Manta, na região do Pacífico, não foi renovada pelo presidente equatoriano, Rafael Correa.

BBC Brasil |

De acordo com o ministro equatoriano de Relações Exteriores, Fander Falconí, com o fim do convênio, "além de cumprir a Constituição", o governo "deixa as bases para que nenhum governo, por nenhuma razão, volte a conceder território nacional a forças militares estrangeiras".

A nova Constituição equatoriana proíbe a instalação de bases militares estrangeiras em seu território.

Para a base governista e organizações sociais que participaram da redação da Carta Magna, a base de Manta atendia aos interesses geopolíticos dos EUA na região, em especial na implementação do Plano Colômbia.

O fechamento da base foi uma das promessas de campanha do presidente equatoriano.

Nos próximos dias, os EUA darão início à retirada dos equipamentos militares e dos 450 soldados que servem na base. A saída definitiva está prevista para o mês de setembro.

A base possui capacidade para estacionar até oito aviões rastreadores de aeronaves e submarinos que são utilizados pelo narcotráfico.

A partir de Manta, as aeronaves americanas eram capazes de cobrir uma área de até 6,4 mil quilômetros quadrados que abrange parte do Pacífico, Peru e América Central.

Polêmica
A saída das forças americanas do Equador gerou outro foco de polêmica na região.

O governo colombiano e o norte-americano negociam um acordo militar que, se aprovado, permitirá a transferência das operações militares até agora realizadas em Manta para pelo menos três bases militares na Colômbia.

Se o acordo for aprovado, a Colômbia, principal aliado dos EUA na região, pode se converter no principal centro de operações militares americanas na América do Sul, fator que tem sido visto com preocupação tanto por alguns grupos políticos colombianos como por vizinhos críticos à política norte-americana, como Venezuela, Equador e Bolívia.

"Políticos latino-americanos que aceitam uma base militar norte-americana em qualquer país da América Latina são traidores de seu país, de sua pátria", afirmou o presidente boliviano, Evo Morales, na quinta-feira, em La Paz, em alusão às negociações do acordo militar entre Bogotá e Washington.

Nesta semana, o ministro de Defesa da Colômbia, general Freddy Padilla, por sua vez, afirmou que a cooperação militar tem como objetivo "a luta contra o narcotráfico e o terrorismo".

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG