Washington, 5 abr (EFE).- O Governo dos Estados Unidos assinalou hoje que sua preocupação em relação às compras militares da Venezuela é que as armas compradas pelo país procedentes da Rússia possam acabar em outros países da região.

"Nossa principal preocupação não é se a Venezuela quer adquirir esse material. Nossa principal preocupação é que, se a Venezuela vai aumentar seu armamento militar, não queremos que esse material acabe em outras partes da região", ressaltou hoje o porta-voz do Departamento de Estado americano, Philip Crowley.

O primeiro-ministro da Rússia, Vladimir Putin, afirmou nesta segunda-feira durante uma reunião em Moscou dedicada ao desenvolvimento da indústria militar que a Venezuela planeja comprar novos armamentos russos no valor de mais de US$ 5 bilhões.

O porta-voz afirmou que este se trata de um assunto bilateral entre dois Governos e não diz respeito aos EUA. No entanto, ele se questionou "que as necessidades de legítima defesa tem a Venezuela para obter esses equipamentos".

Segundo ele, a Venezuela tem a "responsabilidade" de ser "transparente" em suas aquisições de armamento e "deve ser clara sobre os propósitos da compra desse material".

"Acho que poderíamos pensar em coisas melhores nas quais poderia investir em benefício do povo venezuelano", disse.

Putin fez na semana passada sua primeira visita à Venezuela, onde se reuniu com o presidente Hugo Chávez, com quem assinou 31 acordos bilaterais em matéria de energia, defesa, cultura e agricultura, entre outros setores.

Além disso, os dois líderes confirmaram as condições para a concessão a Caracas do crédito russo de US$ 2,2 bilhões destinado à compra de novos armamentos que negociam representantes de ambos os países.

Segundo fontes russas, a Venezuela adquiriu desde 2005 armas russas que totalizaram US$ 4,4 bilhões, tornando-se o maior cliente de armas da Rússia na América Latina, o que preocupa a vizinha Colômbia e os EUA. EFE elv/sa

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.