EUA evita receio árabe quanto a eventual diálogo com o Irã

Cairo, 5 mai (EFE).- Os Estados Unidos afirmaram hoje que um eventual diálogo com o Irã não mudará suas relações com seus aliados árabes e prometeu que, caso essas conversas aconteçam, seus amigos da região serão informados.

EFE |

"É importante que nossos amigos do Oriente Médio entendam que seremos transparentes sobre este processo, para que ninguém se surpreenda", afirmou hoje no Cairo o secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates.

Gates começou no Egito uma viagem que depois segue para a Arábia Saudita. Esses dois países são os aliados árabes mais importantes dos EUA na região e veem com preocupação a intromissão do Irã nos assuntos do Oriente Médio e o apoio iraniano a grupos radicais islâmicos.

O alto funcionário americano falou sobre o assunto em entrevista coletiva concedida no palácio presidencial do Cairo depois de se reunir hoje com o presidente egípcio, Hosni Mubarak, na primeira etapa de sua viagem pela região.

Segundo Gates, os EUA querem que o Irã interrompa o desenvolvimento de seu programa nuclear, o que Teerã rejeita, e ao mesmo tempo "conseguir que abandone seus esforços desestabilizadores na região".

A Administração do presidente americano, Barack Obama, anunciou que quer incluir o Irã em suas políticas de aproximação à região, apesar da hostilidade demonstrada pelo Governo de Teerã contra a Casa Branca.

Entretanto, Gates esclareceu hoje que o diálogo com o Irã não permitirá resolver todos os assuntos pendentes. "Acho que esta possibilidade é muito remota, improvável", insistiu.

"Estender a mão ao Irã não minimiza ou muda a firme relação de segurança e política dos EUA com Egito e Arábia Saudita e com outros amigos na região", afirmou Gates.

O secretário de Defesa acrescentou que o diálogo com o Irã será "lento", mas advertiu que, caso o Irã responde à "mão estendida" americana "com um punho fechado", a Casa Branca atuará "de forma correspondente".

A reunião entre Gates e Mubarak ocorreu horas antes de o presidente egípcio receber no Cairo o rei Abdullah da Jordânia.

Amanhã, o chefe de Estado do Egito será anfitrião do presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas.

Estes contatos ocorrem a poucos dias da possível chegada ao Egito do novo primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, o qual, segundo a imprensa árabe, é esperado no Cairo para meados deste mês.

Durante sua entrevista coletiva, Gates disse que conversou hoje com Mubarak sobre os contatos bilaterais, a relação entre Israel e os palestinos, o Irã e "os passos seguintes" no Iraque, onde os EUA estão retirando paulatinamente suas tropas.

O Egito, um país que Gates definiu como "um dos mais importantes parceiros dos EUA", está trabalhando para reconciliar os diferentes grupos palestinos e também para mediar o diálogo indireto entre representantes do Israel e do Hamas.

Em suas declarações, o secretário de Defesa se referiu também à situação no Paquistão e mencionou a reunião que o presidente paquistanês, Asif Ali Zardari, e seu colega afegão, Hamid Karzai, farão com Obama amanhã em Washington.

"Esperamos que existam acordos conjuntos e também que o Paquistão e Afeganistão trabalhem juntos", disse Gates.

O alto funcionário americano explicou que os recentes ataques dos rebeldes, que chegaram perto de Islamabad, "podem servir como uma chamada de alerta para muitos no sentido de que os talibãs se transformaram em um verdadeiro perigo".

Nesse sentido, também destacou o papel da Arábia Saudita, um país "com grande influência na região". "A chave é ver o que podemos fazer para ajudar o Paquistão a enfrentar os talibãs", insistiu Gates. EFE ag/bba

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