EUA estuda nomear promotor para investigar abusos da CIA, diz jornal

Washington, 9 ago (EFE).- O procurador-geral dos Estados Unidos, Eric Holder, estuda nomear um promotor para investigar os abusos cometidos pela CIA, a agência de inteligência americana, durante os interrogatórios a suspeitos de terrorismo, segundo a edição de hoje do jornal Los Angeles Times.

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Tal promotor avaliaria se a CIA empregou táticas não autorizadas pelos chamados "memorandos da tortura" do Governo do ex-presidente americano George W. Bush (2001-2009), que deram sinal verde a práticas polêmicas como a da asfixia simulada durante os interrogatórios.

Uma das fontes consultadas pelo "Los Angeles Times" afirmou que Holder se mostra reticente em relação a abrir um processo penal e insiste em que não tomou uma decisão definitiva sobre o assunto, mas destacou que, "como procurador-geral, tem a obrigação de cumprir a lei".

Entretanto, vários outros membros do Governo americano consultados pelo jornal dizem ter quase certeza de que Holder abrirá um processo penal e escolherá um promotor de uma lista preparada recentemente pelo Departamento de Justiça a seu pedido.

Um funcionário deste departamento consultado pela publicação disse acreditar que a investigação está fadada ao fracasso ao argumentar que "se prolongará indefinidamente e provocará um grande dano colateral, sem conseguir resultados satisfatórios".

Os críticos sustentam que será difícil obter provas contundentes e que a situação carece de precedente legal.

Segundo o "Los Angeles Times", alguns dos casos que seriam investigados não tinham vindo a público até agora, incluído um no qual um membro da CIA compareceu a uma sala de interrogatórios com uma pistola para obrigar um detido a falar.

Entre os abusos que poderiam ser alvo de processos judiciais figuram os que já foram divulgados, como a asfixia simulada de presos, além das mortes de detidos sob custódia da CIA no Afeganistão e no Iraque em 2002 e 2003.

O jornal destaca que, temerosos do que pode estar por vir, um pequeno número de funcionários da CIA abandonaram seus planos de se aposentar ou deixar a agência para poder manter o acesso a material confidencial e estar em uma melhor posição para se defenderem frente a uma potencial investigação.

O presidente dos EUA, Barack Obama, expressou em diversas ocasiões sua recusa a lançar um processo penal contra o programa de interrogatórios, mas abriu espaço para o julgamento de indivíduos que podem ter violado a lei.

Tanto Obama, quanto Holder, disseram crer que a asfixia simulada representa tortura, mas o diário lembra que a investigação representaria problemas políticos para a Casa Branca.

Tom Malinowski, diretor em Washington do grupo de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch, diz que "uma investigação que se concentre só em funcionários de baixo escalão seria pior do que não fazer nada". EFE tb/bba

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