EUA estendem a mão a Irã e Rússia e pedem ajuda a europeus

Ingrid Haack. Munique (Alemanha), 7 fev (EFE).- A nova Administração dos Estados Unidos se apresentou hoje na conferência sobre segurança realizada em Munique com a mão estendida para o Irã e a Rússia, e o pedido de ajuda aos europeus, alinhado às mensagens do presidente Barack Obama de colocar fim ao unilateralismo de seu antecessor, George W.

EFE |

Bush.

Em seu primeiro discurso na Europa após a chegada de Obama à Casa Branca, o vice-presidente americano, Joe Biden, proclamou um "novo tom" nas relações, baseado na cooperação e no diálogo, concretizado em gestos como o de contar com a Rússia para o desenvolvimento do polêmico escudo antimísseis.

"Estou aqui como representante de um Governo que está decidido a usar um novo tom em Washington e nas relações da América com os Estados do mundo", disse Biden.

"Os Estados Unidos precisam do mundo, mas acho que o mundo também precisa dos Estados Unidos", acrescentou.

O discurso de Biden tinha sido anunciado pelo organizador da conferência, Wolfgang Ischinger, como a primeira apresentação da política externa americana a seus parceiros, mas ficou a meio caminho.

Biden mostrou efetivamente que existe um novo tom no discurso político, por exemplo, ao pedir "sinceramente" aos europeus que coloquem propostas de qual deve ser a futura estratégia no Afeganistão, mas sem chegar às expectativas existentes sobre anúncios concretos.

O vice-presidente americano foi direto ao convidar o Irã ao diálogo, com a promessa de benefícios para Teerã caso aceite e a ameaça de sanções e pressões, caso contrário.

Também pediu que os europeus recebam um pequeno número de prisioneiros de Guantánamo quando essa prisão situada em Cuba for fechada.

No entanto, o gesto mais visível foi em relação à Rússia, à qual prometeu incluir em seu projeto de posicionar um escudo antimísseis no Leste Europeu, sobre o que o vice-presidente não foi muito mais explícito.

O escudo começará, disse, apenas se for tecnologicamente "sensato, factível e eficiente do ponto de vista dos custos" e apenas em "cooperação com os membros da Otan e a Rússia".

Biden ressaltou a importância da Rússia ao enfrentar ameaças conjuntas, como a luta contra os talibãs, o terrorismo internacional e o comércio com material nuclear.

Também se mostrou convencido de que os EUA e a Rússia conseguirão entrar em acordo sobre o tratado que deve suceder o de Start (sobre armas estratégicas), que vence em 11 meses.

A necessidade de cooperar com a Rússia centrou também o resto da sessão de debates e os discursos do presidente francês, Nicolas Sarkozy, da chanceler alemã, Angela Merkel, e do alto representante para Política Externa e Segurança Comum da União Europeia (UE), Javier Solana.

Sarkozy usou o tom mais amistoso frente a Moscou, ao pedir calma aos que veem na Rússia uma ameaça e minimizar a importância das tensões surgidas após a crise com a Geórgia e o conflito por causa do gás.

"Acho que, atualmente, a Rússia não é uma ameaça para a UE ou a Otan. A Rússia tem muitos conflitos internos para representar uma ameaça", disse.

Merkel delineou uma nova política de cooperação reforçada entre a UE e Rússia, e, assim como Solana, elogiou as propostas do presidente russo, Dmitri Medvedev, de criar uma nova arquitetura de segurança europeia.

Ao contrário de Medvedev - que, ao formular suas ideias, no ano passado, tomou a Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) como modelo dessa nova arquitetura -, Merkel disse que a OSCE não é precisamente o exemplo de instituição efetiva.

Segundo Merkel, seria mais útil fortalecer a cooperação entre UE e Rússia. Em nenhum caso, ressaltou, a cooperação reforçada deve colocar em dúvida ou enfraquecer a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

Todos os que discursaram hoje neste debate sobre o futuro da segurança europeia e as relações da UE com a Otan concordaram na necessidade de melhorar o funcionamento da Política Europeia de Segurança e Defesa, e evitar as duplicidades e desperdícios que continuam devido à falta de coesão.

O mais explícito em sua queixa foi o secretário-geral da Otan, Jaap de Hoop Scheffer, que manifestou sua "frustração" com o "muro de proteção" que continua existindo na cooperação entre a Aliança e a UE. EFE ih/an

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