WASHINGTON - O governo dos Estados Unidos expressou hoje sua imensa preocupação com que a ajuda americana que chegou a bordo de um Hercules C-130 da Força Aérea a Mianmar seja distribuída de maneira adequada e enviada às vítimas do ciclone. A ONU acredita que o número de mortos está entre 63 mil e 100 mil, além dos cerca de 1,5 milhão de desabrigados. Caio Blinder, NY: http://ultimosegundo.ig.com.br/opiniao/caio_blinder/2008/05/12/junta_militar_de_mianmar_comete_crimes_contra_a_humanidade_1306476.htmlJunta Militar comete crimes contra a humanidade

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Milhares de pessoas ficaram desabrigadas com a passagem do ciclone devastador

Em entrevista coletiva no Departamento de Estado americano, o diretor do Escritório de Assistência a Desastres no Exterior (OFDA) da Agência para o Desenvolvimento Internacional dos Estados Unidos (USAID), Ky Luu, afirmou que será feito de "tudo" para que a ajuda chegue, o mais rápido possível, às vítimas do ciclone "Nargis".

O primeiro avião americano com ajuda humanitária aterrissou hoje em Mianmar com 8.300 garrafas de água, 1. 350 cobertores e 10.800 mosquiteiros, dez dias depois que o desastre natural devastou amplas áreas do sul do país.

Luu considerou um "primeiro passo" a autorização da Junta Militar birmanesa que permitiu a entrada da primeira aeronave americana.

No entanto, disse, no vôo iam responsáveis da equipe de resposta e assistência em desastres dos Estados Unidos que não puderam entrar no país, devido à recusa, por parte das autoridades birmanesas, em conceder visto aos correspondentes.

Por isso, os EUA não podem controlar a distribuição da ajuda americana que está nas mãos das autoridades birmanesas.

Luu declarou que "é necessário permanecer otimista", ainda que não tenha escondido sua preocupação com a possibilidade de que a ajuda não chegue às vítimas.

"Há uma imensa preocupação. Proporcionamos assistência representando os cidadãos americanos. Queremos nos assegurar de que os impostos dos americanos são usados e controlados corretamente", afirmou.

O responsável do OFDA revelou que nos dois vôos de ajuda americana com previsão de aterrissagem para terça-feira em Mianmar irá o líder da equipe de assistência a desastres, Bill Berger, para controlar a entrega às autoridades de mais vasilhas, lonas impermeáveis e mosquiteiros.

O governo americano anunciou hoje uma ajuda econômica de US$ 13 milhões para as agências das Nações Unidas, fazendo com que a contribuição financeira do país chegue, até agora, a US$ 16,25 milhões.

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Garrafas de água são descarregadas do avião dos EUA
A enviada da BBC à fronteira entre a Tailândia e Mianmar, Caroline Duffield, disse que a Ponte da Amizade, que liga os dois países, "está deserta".

"Ela deveria estar com um intenso movimento de caminhões levando ajuda e especialistas, mas está vazia", disse ela.

Segundo Duffield, organizações de ajuda estão dizendo que a situação está ficando crítica para os sobreviventes do ciclone, desnutridos e desidratados.

Navios americanos com ajuda estão aguardando na costa do país autorização para entrar em águas birmanesas.

Algumas agências humanitárias, entretanto, conseguiram permissão para inciar seus trabalhos em Mianmar.

O Programa Mundial de Alimentos da Organização das Nações Unidas (ONU) recebeu autorização para distribuir as 38 toneladas de comida que estavam retidas no aeroporto de Yangun, enquanto que agências humanitárias também relataram progressos.

Porém, elas alertaram que a quantidade de ajuda que está chegando às áreas afetadas pelo ciclone está longe de ser suficiente.

A organização não-governamental britânica Oxfam afirma que o número de mortos pode passar dos 100 mil e que 1,5 milhão de pessoas estão sem água potável nem saneamento básico.

Sinais positivos

Sobreviventes do desastre começam a se aglomerar em acampamentos nos limites da área afetada há oito dias.

A ONU, que fez um apelo por US$ 187 milhões de ajuda, diz que os sobreviventes das áreas mais afetadas precisam urgentemente de comida, abrigo e ajuda médica.

Países vizinhos como China e Tailândia têm enviado ajuda para Mianmar.

A ONU estima que apenas um quarto dos sobreviventes do desastre tenham recebido ajuda até o momento.

Porém, o chefe da organização britânica Save the Children in Burma, Andrew Kirkwood, disse que existem sinais positivos nas operações.

"Parece que mantimentos estão passando pelo aeroporto com muito mais facilidade", disse Kirkwood à BBC.

"As pessoas têm conseguido garantir pelo menos um fornecimento mínimo de barcos e caminhões e combustível. Acho que isso realmente ajudou."

'Tragédia inimaginável'

O Comitê de Resgate Internacional diz que sem uma imensa entrega de comida, Mianmar corre o risco de vivenciar uma "tragédia inimaginável".

"A não ser que haja uma injeção imensa e rápida de ajuda, especialistas e mantimentos nas áreas mais afetadas, uma tragédia de escala inimaginável pode ocorrer", disse Greg Beck.



Mianmar está localizada no sudeste asiático

A diretora da Oxfam, Sarah Ireland, disse que o desastre era uma "tempestade perfeita" que tem "todos os fatores" para virar uma "catástrofe de saúde pública".

Referendo da Junta Militar

Enquanto a ajuda tenta chegar às vítimas, o governo militar birmanês afirmou que o comparecimento às urnas no referendo realizado neste sábado foi imenso.

O processo, para aprovar uma Constituição elaborada pela Junta Militar, foi realizado na maior parte do país, mas foi adiado nas áreas mais atingidas pelo ciclone tropical Nargis, a cidade de Yangun e o delta Irriwady.

A votação foi mantida pelo governo apesar de apelos da ONU para adiá-la e concentrar todos os esforços na ajuda às vítimas do ciclone.

Os generais birmaneses dizem que o referendo vai abrir caminho para eleições democráticas em 2010, mas a oposição diz que a constituição deve solidificar o poder dos militares.

(*Com informações da agência EFE e da BBC)

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 Clique na imagem e veja o infográfico sobre a formação de ciclones

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