EUA enviarão tanques de combate ao Afeganistão, diz jornal

O envio dos equipamentos pela primeira vez desde o início da guerra assinala uma escalada maior nas táticas contra o Taleban

iG São Paulo |

Os Estados Unidos enviarão tanques de combate ao Afeganistão pela primeira vez desde o início da guerra, há nove anos, segundo informou o diário Washington Post nesta sexta-feira. A mudança assinala uma escalada maior nas táticas agressivas que vêm sendo empregadas pelas forças americanas para atacar a milícia islâmica afegã do Taleban.

Citando como fontes funcionários do governo americano e oficiais militares, o jornal destacou que o general David Petraeus, comandante das forças dos EUA e da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) no Afeganistão, aprovou no mês passado o envio dos veículos.

"O deslocamento de uma companhia de tanques M1 Abrahms, a cargo dos fuzileiros navais no sudoeste do país, permitirá às forças terrestres atingir insurgentes a partir de uma distância maior - e com mais poder letal - do que é possível de outro veículo militar dos EUA", disse o Post.

As primeiras remessas são de 16 tanques para serem usados em partes da Província de Helmand, onde se intensificou a luta entre marines e a guerrilha do Taleban, informou o jornal, acrescentando que tropas do Canadá e da Dinamarca têm usado um pequeno número de tanques no sul do Afeganistão.

Cúpula da Otan

A informação surge enquanto delegações de 48 países se preparam para participar a partir desta sexta-feira da cúpula da Otan em Lisboa, na qual o conflito afegão será um dos principais temas de discussão. No encontro, os EUA devem apresentar um plano de transferência gradual da segurança do país ao Afeganistão até 2014, o que permitiria a eventual retirada das forças da coalizão internacional.

AFP
Jornalista trabalha no centro de mídia na véspera da Cúpula da Otan em Lisboa, Portugal (18/11/2010)
Na quinta-feira, um porta-voz do Pentágono afirmou que o governo do Afeganistão deverá assumir a segurança do país no final de 2014. Segundo o porta-voz Geoff Morrell, o limite de 2014 é um "objetivo ambicionado", mas ressaltou que essa data não é um limite para a saída das tropas ocidentais.

A cúpula de Portugal pretende também acelerar a adaptação da Otan a novas exigências, desde a abertura a outros países à sua preparação para novas ameaças internacionais, passando pela reestruturação exigida pela crise econômica.

O novo "conceito estratégico" da Aliança, um documento que recolhe seus objetivos básicos, deve ser aprovado na sessão desta sexta-feira, e o anfitrião da reunião, o primeiro-ministro português, José Sócrates, lembrou na quinta que a Otan "não é a polícia do mundo" e tem de reforçar a cooperação entre países e organizações.

"Essa cúpula entrará, sem dúvida, na história da organização", disse Sócrates, após ressaltar a importância da reunião entre a Aliança e a Rússia, assim como para a resposta às novas ameaças para a segurança global, entre elas o terrorismo, os ciberataques, a pirataria e o crime organizado.

Para garantir a segurança da cúpula, Portugal reforçou a vigilância policial na capital e os controles nos aeroportos e em sua única fronteira terrestre, com a Espanha, na qual praticou várias detenções e expulsões.

O forte dispositivo de segurança empreendido pelas autoridades portuguesas perante a cúpula inclui dois blindados policiais, aviões de combate, uma fragata e cerca de 10 mil efetivos, entre policiais, bombeiros, médicos e proteção civil.

Uma das maiores preocupações das forças de segurança são os surtos de violência que possam ocorrer no sábado, quando as organizações anti-Otan devem realizar sua principal manifestação.

*Com Reuters e EFE

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