EUA enviarão entre 20.000 e 30.000 soldados ao Afeganistão

Os Estados Unidos ampliarão seu efetivo militar no Afeganistão enviando entre 20 mil e 30 mil homens antes do verão boreal de 2009, anunciou neste sábado o chefe do Estado-Maior americano, almirante Mike Mullen.

AFP |

O general americano David McKiernan, que comanda as forças internacionais no Afeganistão, havia pedido o envio de mais de 20.000 soldados para ajudar a combater os rebeldes talibãs.

"As tropas solicitadas pelo general McKiernan são as que necessitamos para um futuro imediato. Não penso por enquanto que haverá um aumento superior a 20.000 ou 30.000 soldados", declarou o almirante Mullen em entrevista à imprensa em Cabul.

"Esperamos que estejam lá a partir da primavera (boreal), e o mais tarde no verão", acrescentou Mullen.

"O desafio é encontrar o que chamamos de 'facilitadores', os serviços de saúde, a ligação entre civis e militares (...) e todas as tropas de apoio, que são muito importantes", explicou o almirante.

"A faixa de reforço está entre 20.000 e 30.000 soldados, não tenho ainda números precisos, mas poderemos ter mais homens aqui se formos capazes de avançar em matéria de desenvolvimento e gestão", destacou Mullen.

O almirante fez uma crítica implícita à administração do presidente afegão, Hamid Karzai, cuja capacidade para administrar o país com eficiência e combater a corrupção é cada vez mais questionada.

"Talvez subestimemos a capacidade do governo afegão de conseguir o impacto que desejamos devido à própria história do Afeganistão", disse Mullen, estimando que "do ponto de vista objetivo, é estratégico permitir às comunidades, às tribos, tomar decisões sobre seu futuro".

Sobre a possibilidade de negociar com os talibãs, após Karzai propor o diálogo ao mulá Omar, líder dos rebeldes islâmicos, o almirante foi prudente: "É uma contra-insurreição, há sempre um momento no qual é preciso dar alternativas aos indivíduos que fazem parte da insurreição e que estão propensos à reconciliação, mas também é necessário fazer isto em posição de força".

O presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, prometeu retirar as tropas do Iraque para reforçar a frente afegã, que vê com uma das prioridades de sua política externa.

O ano de 2008 foi o pior para as forças internacionais no Afeganistão desde sua chegada ao país, em 2001, para expulsar os talibãs do poder: nos últimos 12 meses, 287 soldados estrangeiros morreram no país, assim como mil policiais e militares afegãos, além de 2 mil civis.

Nos últimos dois anos, os rebeldes afegãos duplicaram a intensidade de sua campanha, apesar da presença de 70 mil militares estrangeiros no país, a metade dos EUA.

thm/lm/LR

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