EUA enviam contingente militar para Haiti após terremoto

César Muñoz Acebes. Washington, 13 jan (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, prometeu apoio total de seu país ao Haiti e ordenou o envio de um grande contingente militar, incluindo um porta-aviões, para socorrer a nação caribenha após o forte terremoto desta terça-feira.

EFE |

As primeiros equipes de resgate dos EUA chegarão hoje à capital haitiana, Porto Príncipe, e especialistas de sua força aérea assumirão o funcionamento de seu aeroporto, segundo as autoridades.

Além disso, se dirigem às imediações do Haiti quatro navios guarda-costas e o porta-aviões USS Carl Vinson, com seis mil marinheiros, que está sendo abastecido no caminho.

"O povo do Haiti terá total apoio dos Estados Unidos", assegurou Obama em declaração divulgada na Casa Branca, na qual prometeu que seu Governo responderá à catástrofe "de maneira rápida, coordenada e eficiente".

Essa ajuda pode incluir o envio de tropas para garantir a segurança nas ruas de Porto Príncipe, segundo o general Douglas Fraser, comandante do Comando Sul do Pentágono.

"Estudamos o tema seriamente", disse o general, ao explicar que os EUA enviariam um navio anfíbio com dois mil fuzileiros navais.

Uma brigada do Exército americano, que costuma reunir 3.500 soldados, também está em alerta.

Ainda não se saber o número de possíveis vítimas do terremoto. O primeiro-ministro haitiano, Jean-Max Bellerive, disse em entrevista à "CNN" que há "centenas de milhares" de mortos, mas não explicou em que baseou esse número.

Um avião P-3 da Marinha dos EUA com base em Comalapa (El Salvador) voou sobre o território haitiano e fez uma avaliação preliminar dos danos.

A conclusão é que a maior parte da destruição se deu em Porto Príncipe, enquanto outras áreas do país sofreram danos menores, disse Cheryl Mills, advogada do Departamento de Estado americano e especialista em Haiti.

Obama disse que, para um país como o Haiti, que é a nação mais pobre da América, "esta tragédia parece ser especialmente cruel e incompreensível".

"Os relatos e imagens que vimos de hospitais em ruínas, casas desmoronadas e homens e mulheres carregando seus vizinhos feridos pelas ruas, são realmente angustiantes", disse Obama, que foi informado sobre o terremoto uma hora depois do incidente.

O presidente escolheu Rajiv Shah, diretor da Agência dos EUA para Desenvolvimento Internacional (USAID, na sigla em inglês), para comandar a resposta americana ao desastre.

Shah disse em entrevista coletiva que uma equipe de 15 pessoas fará hoje uma avaliação no terreno das prioridades para o resgate, como preparação para a chegada do pessoal de socorro.

Duas equipes de ajuda com 144 profissionais no total já estão "a caminho", informou.

"Nosso objetivo é salvar quantas vidas pudermos nas primeiras 72 horas, porque este é o tempo que temos", disse o diretor da USAID.

Hoje, um helicóptero da guarda costeira americana retirou quatro diplomatas do Haiti com ferimentos graves e os levou para a base naval de Guantánamo (Cuba), em cujo hospital militar foram internados.

O Governo dos EUA tem informações sobre oito americanos feridos, dentre os 45 mil americanos país que estão no Haiti, segundo Mills.

De acordo com a advogada, 80 pessoas, entre cônjuges de diplomatas, seus filhos e pessoal não essencial da Embaixada, serão retiradas do Haiti.

O aeroporto de Porto Príncipe, que conta com apenas uma pista de pouso, está aberto, mas a torre de controle não funciona. Por isso, o tráfego aéreo está sendo organizado por sinais visuais e apenas se as condições meteorológicas são apropriadas, de acordo com as autoridades americanas.

A previsão é de que integrantes das Operações Especiais da Força Aérea americana cheguem hoje à capital haitiana para assumir o controle do aeroporto local.

Além disso, os EUA realizam uma avaliação do porto com a intenção de usá-lo para receber ajuda nos próximos dias, segundo Fraser.

O poderoso terremoto aconteceu às 19h53 (Brasília) de terça-feira e teve epicentro a 15 quilômetros de Porto Príncipe. O primeiro-ministro do país, Jean Max Bellerive, cifrou hoje em "centenas de milhares" o número de mortos.

O Exército brasileiro confirmou que pelo menos 11 militares do país que participam da Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti (Minustah) morreram em consequência do terremoto.

A brasileira Zilda Arns, fundadora e coordenadora da Pastoral da Criança, ligada à Igreja Católica, também morreu no tremor. EFE cma/bba

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