EUA enviam ao Haiti ajuda humanitária e 9 mil soldados

Elvira Palomo Washington, 15 jan (EFE).- Os Estados Unidos começaram hoje a mobilização da ajuda ao Haiti a bordo de alguns de seus mais importantes navios de guerra e anunciou que enviará 9 mil soldados à ilha caribenha antes de segunda-feira para apoiar os trabalhos humanitários.

EFE |

O porta-aviões Carl Vinson chegou hoje mesmo ao litoral haitiano com 19 helicópteros, 51 leitos de hospital, três salas de operações cirúrgicas e capacidade de produzir centenas de milhares de litros de água potável e 18 mil refeições por dia.

Em terra já se encontravam os 100 primeiros soldados da 82ª Divisão Aerotransportada dos EUA preparando o acampamento para a chegada no fim de semana do resto da brigada (3,5 mil soldados de Infantaria do Exército).

Mas a ajuda será intensificada até o fim de semana, disse o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas dos EUA, almirante Mike Mullen.

Mais cedo, o almirante anunciou o envio de novas tropas militares com vários navios de guerra e helicópteros, o que fará com que aumente a presença militar americana de 1 mil para 10 mil soldados durante o fim de semana.

"Este é um esforço de todo o Governo dos EUA e também um esforço internacional", apontou o secretário de Defesa, Robert Gates, que destacou que por seu "proximidade" e suas "capacidades", os EUA estão "em condições de fazer mais que outros países", embora considerou que "a chave é a coordenação".

A chegada em massa de aviões com ajuda humanitária a Porto Príncipe provocou na quinta-feira um colapso do aeroporto que obrigou a Administração Federal de Aviação americana (FAA, na sigla em inglês) a suspender temporariamente o fluxo procedente dos EUA, que já foi restabelecido.

O Comando Sul determinou que o aeroporto de Porto Príncipe pode receber provavelmente no máximo 90 voos diários e, embora o tráfego aéreo na capital haitiana ainda não tenha chegado a esse nível, o Exército dos EUA está trabalhando em aumentar a capacidade.

O Governo de Cuba autorizou a entrada em seu espaço aéreo de aviões americanos que acudam em missão de socorro ao Haiti, o que permitirá encurtar em 90 minutos o transporte dos feridos que foram levados à base naval em Guantánamo até Flórida.

Enquanto isso, o porto está destruído, o que representa um "grande obstáculo" para a ajuda internacional e a distribuição de material de primeira necessidade, indicou o porta-voz do Departamento de Estado, Philip Crowley.

Em Porto Príncipe, correm contra o tempo 24 equipes de resgate de todo o mundo, das quais quatro são americanas, segundo o diretor da Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional (USAID, na sigla em inglês), Rajiv Shah, que advertiu hoje que o tempo se esgota e só restam horas para achar gente com vida.

Ainda não há um número oficial de vítimas, mas a USAID estima que o terremoto afetou 3 milhões de pessoas entre feridos e desabrigados e se estima que possa haver centenas de milhares de pessoas sob os escombros.

A Organização Pan-americana da Saúde disse que, segundo algumas fontes, o número de mortos pode estar entre 50 mil e 100 mil.

O Departamento de Estado confirmou que o número de vítimas fatais dos EUA subiu para seis e que se tem conhecimento de 19 americanos feridos, quatro deles graves. Todos eles foram transportados.

No total, 846 cidadãos dos EUA foram levados do país, a maioria deles para a República Dominicana, embora outros puderam retornar a seu país.

O presidente dos EUA, Barack Obama, agradeceu em uma ligação telefônica ao colega dominicano, Leonel Fernández, o papel de seu país na evacuação de cidadãos americanos e em facilitar a chegada de equipes de socorro e provimentos ao Haiti.

Em outro comunicado, Obama ofereceu ao líder do Haiti, René Préval, "o apoio total do povo americano ao Governo e à população do Haiti em relação ao esforço de recuperação imediato e à reconstrução a longo prazo".

No decorrer da próxima semana chegarão ao Haiti sete navios americanos, incluindo o navio-hospital Comfort, que leva centenas de médicos, enfermeiros e equipes de cirurgia, além de laboratórios e medicamentos.

Enquanto isso, no Congresso continuaram os pedidos de alguns parlamentares para outorgar o Status de Proteção Temporário (TPS) que dê acesso a permissões de trabalho e residência legal no país a parte dos milhares de haitianos que vivem nos EUA.

O terremoto de 7 graus na escala Richter aconteceu às 19h53 de Brasília da terça-feira e teve epicentro a 15 quilômetros de Porto Príncipe, a capital do país. A Cruz Vermelha do Haiti estima que o número de mortos fique entre 45 mil e 50 mil.

Na quarta-feira, o primeiro-ministro do país, Jean Max Bellerive, havia falado de "centenas de milhares" de mortos.

O Exército brasileiro confirmou que pelo menos 14 militares do país que participam da Minustah morreram em consequência do terremoto.

A brasileira Zilda Arns, fundadora e coordenadora da Pastoral da Criança, ligada à Igreja Católica, também morreu no tremor.

Diferente dos dados do Exército, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, aumentou hoje o número de mortos para 17 - considerando as mortes de Luiz Carlos da Costa, funcionário da ONU, e de outro brasileiro não-identificado -, segundo informações da "Agência Brasil". EFE elv/sa

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