Uma maratona diplomática, marcada pela entrada em cena da nova delegação americana, começará no próximo domingo em Bonn, na Alemanha, com a primeira sessão de negociações da ONU sobre as mudanças climáticas, voltada à preparação de um novo acordo internacional antes de dezembro.

Para seus aliados na Convenção Marco das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (CMNUCC), a reunião será a hora da verdade, e espera-se que os Estados Unidos formalize seu grau de compromisso.

O novo acordo deve estar pronto para o encontro de dezembro em Copenhague, e sua missão será avaliar a primeira fase do protocolo de Kyoto, que expira no final de 2012.

"Agora começa a verdadeira negociação. Espero que os Estados Unidos anunciem seus princípios gerais nesta negociação", disse o secretário executivo da CMNUCC, Yvo de Boer, à AFP.

Os países industrializados devem indicar até onde estão dispostos a reduzir suas emissões de gases causadores do efeito estufa até 2020, em relação aos níveis de 1990, e a longo prazo (2050). Pela primeira vez, os países em desenvolvimento também receberão um pedido para que façam um esforço e adotem políticas que reduzam a poluição.

Atualmente, apenas os países desenvolvidos (denominados Anexo 1) são submetidos às obrigações de redução do protocolo de Kyoto - com exceção dos EUA, que nunca o ratificaram.

O objetivo é conseguir que a nova administração se comprometa com um novo acordo até dezembro. Também se espera o compromisso dos grandes países emergentes, como a China, o maior poluidor mundial. Cada uma das duas potências já avisaram que não avançariam sem a adesão da outra.

A União Europeia (UE) já se comprometeu firmemente com um objetivo de redução de 20% até 2020 - ou até 30%, caso outros se unirem ao acordo -, e o presidente Barack Obama convocou para a mesma data a volta das emissões americanas a seu nível de 1990 (o equivalente a uma redução de 14% em relação a 2005).


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