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María Peña. Washington, 17 jan (EFE).- Os Estados Unidos colocam a tarefa de recuperar o Haiti como um projeto de longo prazo, enquanto os focos de violência e a demora na distribuição de ajuda representam os desafios mais imediatos, reconheceram hoje funcionários de alto categoria do Governo.

Embora isolados, os focos de violência são um desafio de segurança que dificulta as tarefas humanitárias no país caribenho.

Durante um serviço religioso em memória do falecido líder afro-americano Martin Luther King, o presidente americano, Barack Obama, pediu aos americanos para que se apoiem na fé para superar o "duro inverno" que atravessa o país, como faz agora a comunidade haitiana "por meio de suas orações e hinos".

Mas no meio dessas orações, também se vê o desespero no Haiti pela demora na distribuição de água e comida, o que levou a alguns saques e focos de violência.

O subcomandante do Comando Sul dos EUA, tenente-general P.K.

Keen, e o diretor da Agência Americana para o Desenvolvimento Internacional (USAID), Rajiv Shah, disseram em entrevistas à imprensa americana que a segurança é um componente-chave na missão humanitária.

Keen disse que embora o objetivo imediato dos EUA seja fornecer assistência humanitária, o restabelecimento da segurança é algo que, com a ajuda das Nações Unidas, requer "uma resposta rápida".

"A segurança é uma preocupação. Estamos prestando atenção muito de perto", declarou à "CNN".

No entanto, Keen quis enviar uma mensagem otimista ao dizer que, apenas no sábado, mil soldados americanos entregaram 130 mil porções de comida e 70 mil garrafas de água potável aos desabrigados haitianos.

Mesmo no caso de um "desastre de proporções épicas", em termos gerais "há calma nas ruas", disse Keen à "NBC".

Enquanto isso, os desabrigados e que os atendem em precárias condições esperam mais ajuda.

"A situação dos pacientes é muito crítica, não só por seus sofrimentos físicos, mas emocionais, porque todos têm a impressão de ter visto a morte muito de perto", disse à Agência Efe o médico Claude Surena, presidente da Associação Médica Haitiana e ex-ministro da Saúde Pública sob o Governo de Jean-Bertrand Aristide.

Entre os pacientes há muitas crianças que, se antes do terremoto morriam de fome, agora correm perigo de perder a vida devido à precariedade da infraestrutura médica, segundo o pediatra de 59 anos.

"Muitos deles precisam cirurgia, mas não temos a estrutura para isso", lamentou Surena via e-mail.

Designado pelo presidente haitiano, René Préval, para coordenar a resposta médica ao desastre, Surena afirmou que houve pequenos problemas de segurança durante a noite, especialmente ao transferir os feridos de gravidade para os hospitais de campanha.

Em paralelo, os ex-presidentes americanos Bill Clinton (democrata) e George W. Bush (republicano) apareceram em cinco programas de televisão como encarregados de incentivar a participação da sociedade civil dos EUA com doações para o fundo Clinton-Bush para o Haiti.

Em entrevistas gravadas no sábado e transmitidas hoje, ambos destacaram que a tragédia no Haiti é uma oportunidade para deixar de lado as diferenças políticas e demonstrar solidariedade com os desabrigados.

Em declarações à "CNN", Clinton e Bush consideraram que ter sucesso no curto prazo é "salvar vidas" e distribuir a ajuda de forma eficaz. A meta no longo prazo, segundo ambos, é conseguir a reconstrução e revitalização social e política do país.

Clinton, que é enviado especial da ONU no Haiti, viajará amanhã para o país para se reunir com Préval e outras autoridades haitianas e da comunidade internacional, além de entregar mais ajuda humanitária para as vítimas.

O terremoto de 7 graus na escala Richter aconteceu às 19h53 de Brasília da terça-feira e teve epicentro a 15 quilômetros da capital haitiana, Porto Príncipe. A Cruz Vermelha do Haiti estima que o número de mortos ficará entre 45 mil e 50 mil.

Na quarta-feira, o primeiro-ministro do país, Jean Max Bellerive, havia falado de "centenas de milhares" de mortos.

O Exército brasileiro confirmou que pelo menos 15 militares do país que participam da Minustah, a missão da ONU no Haiti, morreram em consequência do terremoto.

A médica Zilda Arns, fundadora e coordenadora da Pastoral da Criança, ligada à Igreja Católica, e Luiz Carlos da Costa, o segundo civil mais importante na hierarquia da ONU no Haiti, também morreram no tremor. EFE mp/bba

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