EUA elogiam acordo com Iraque sobre permanência de tropas no país

WASHINGTON - O governo dos Estados Unidos expressou nesta segunda-feira sua satisfação com um acordo com o Iraque para a permanência de tropas americanas no país até 2011, que ainda deve ser debatido e aprovado no Parlamento iraquiano. O acordo, o qual não foi publicado, mas do qual vazaram detalhes, estabelece a saída das tropas de combate dos Estados Unidos por volta de 2011 e, pela primeira vez, submete os soldados americanos à jurisdição do Iraque por crimes cometidos nesse país.

EFE |

O cronograma para a retirada militar americana se assemelha à promessa do presidente eleito Barack Obama, que disse que, em seu governo, que começa em 20 de janeiro, retirará do Iraque as unidades de combate em 16 meses.

"Chegamos a este ponto graças à visão que teve o presidente (George W. Bush) quando enviou mais tropas ao Iraque" em 2007, afirmou nesta segunda-feira a porta-voz da Casa Branca, Dana Perino.

"Foi uma das decisões mais impopulares que um presidente pode tomar, mas deu resultados", acrescentou Perino, em referência aos 30 mil soldados enviados pelo contingente americano no Iraque, o que deu como resultado uma diminuição da violência nesse país.

"Os iraquianos podem ver agora um caminho pelo qual podem se governar, se sustentar e se defender", disse a porta-voz.

Perino esclareceu que este pacto não ata as mãos do presidente eleito Obama e que, no futuro, se o governo dos EUA ou o do Iraque acharem que é necessário modificá-lo, poderão fazê-lo.

Obama, em sua primeira entrevista na televisão desde que venceu as eleições de 4 de novembro, disse que ele mantém o compromisso de campanha e que "o fará tão em breve quando prestar juramento" como presidente.

"Convocarei o Estado-Maior Conjunto, meus assessores de segurança nacional e começaremos a executar um plano para a redução de nossas tropas (no Iraque)", acrescentou.

EUA e Iraque deviam chegar a um novo marco legal para a presença das tropas americanas no país invadido em março de 2003, antes que, em 31 de dezembro, expire o mandato do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

"Achamos que é um bom acordo", disse o porta-voz do Departamento de Estado americano, Sean McCormack.

"As forças iraquianas se tornaram muito mais capazes, da mesma forma que outras muitas instituições do país", acrescentou o funcionário.

A aprovação do pacto por parte do gabinete ministerial iraquiano "mostra que os iraquianos as engenharam, à sua maneira, para se deter frente ao Irã e aos EUA", afirmou Michael O'Hanlon, um especialista do Instituto Brookings, em Washington.

"Os iraquianos olharam de forma realista às distintas opções e chegaram à conclusão de que nenhuma era ideal e que a melhor, para sua segurança, era uma medida contínua, mas limitada, de cooperação de parte dos EUA", acrescentou.

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