WASHINGTON - O governo dos Estados Unidos está elaborando um plano de contingência com autoridades locais e estaduais para responder ao pior dos casos, caso a violência do narcotráfico no México atravesse a fronteira dos dois países, disse a secretária de Segurança Nacional americana, Janet Napolitano, nesta quarta-feira.

Reuters

Soldado controla entrada de carros na fronteira da Cidade de Juarez

A secretária deu tais declarações durante a primeira das duas audiências programadas pelo Comitê de Segurança Nacional do Senado americano para tratar da situação mexicana.

Sobre o plano de contingência, Napolitano disse que, após obter informação no local, o Departamento de Segurança Nacional o apresentará em questão de semanas.

A secretária acrescentou que o chamado "Plano de Operações para a Fronteira do Sudoeste", autorizado em janeiro passado, apoia ações de policiais locais no caso de uma escalada de violência na fronteira comum e está pendente apenas das opiniões de autoridades locais e estaduais.

Na terça-feira, Napolitano anunciou o envio de mais agentes federais ao sudoeste americano, medida imediatamente taxada como insuficiente por vários legisladores republicanos.

Diálogo entre países

A presença de Napolitano no Senado dos EUA ocorre no mesmo dia em que a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, inicia uma viagem de dois dias pelo México, onde abordará assuntos relacionados com o narcotráfico, o comércio e a segurança fronteiriça, entre outros temas.

Ao início da audiência, o presidente do Comitê de Segurança Nacional, o senador independente Joe Lieberman, destacou a urgência que os EUA devem ter no combate ao consumo de drogas e ao tráfico de armas de alto poder de fogo rumo ao México.

Lieberman disse ser "inaceitável" que só "uma fração" dos US$ 700 milhões destinados à Iniciativa Mérida, criada para fornecer equipamentos e capacitação às forças de segurança mexicanas, tenha sido desembolsada até o momento.

De acordo com o senador, das 11 mil armas foram apreendidas por autoridades federais americanas com destino ao México em 2008, 90% vinha dos EUA.

O presidente mexicano, Felipe Calderón, disse que o país deve aproveitar "a oportunidade de debilitar os cartéis das drogas". O problema da violência e do tráfico de drogas na fronteira entre EUA e México tem atraído grande atenção dos parlamentares americanos.

A segunda audiência do Comitê será realizada na cidade americana de Phoenix, no sul do país, no próximo dia 20.


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