Hillary pede 'mensagem dura' da comunidade internacional após acusação de que iranianos queriam matar embaixador saudita nos EUA

Manssor Arbabsiar, um dos iranianos acusados pelos EUA, em foto de 2004
AP
Manssor Arbabsiar, um dos iranianos acusados pelos EUA, em foto de 2004
Os Estados Unidos e a União Europeia subiram o tom contra o Irã após o governo americano acusar dois iranianos de um complô para assassinar o embaixador saudita em Washington , Adel al-Jubeir. Os EUA pretendem usar o caso para conquistar o apoio de mais países em um esforço global para aprofundar o isolamento do Irã.

Autoridades disseram que o governo americano vai fazer lobby pela imposição de novas sanções internacionais contra o Irã, assim como para que nações definam suas próprias punições contra o país.

O governo iraniano nega as acusações dizendo que elas são uma fabricação e uma propaganda com vistas a provocar um conflito armado.

A secretária norte-americana de Estado, Hillary Clinton, pediu que seja enviada "uma mensagem bastante dura" a Teerã.

“Para muitos diplomatas e autoridades, isso (o plano de ataque ao embaixador) ultrapassa um limite e faz com que o Irã tenha de ser responsabilizado”, afirmou, acrescentando que ela e o presidente Barack Obama querem “que mais países trabalhem juntos contra o que está se tornando uma ameaça cada vez mais clara”.

Nesta quarta-feira, o governo britânico afirmou estar realizando consultas com os EUA e outros países sobre novas sanções ao Irã. “Apoiaremos qualquer medida que ajudar a responsabilizar o governo iraniano por suas ações”, disse Steve Field, porta-voz do primeiro-ministro David Cameron.

A União Europeia alertou o Irã contra “graves consequências” se o envolvimento do país no plano contra o embaixador saudita for confirmado. “Estamos abordando o assunto com grande preocupação”, afirmou a porta-voz de Política Externa da Comissão Europeia (órgão executivo da UE), Maja Kocijancic.

A porta-voz afirmou que a "suposta participação de iranianos e da Guarda Revolucionária" no plano representa um ato muito grave que pode desencadear "sérias implicações internacionais". "Pedimos ao governo do Irã que coopere plenamente com os Estados Unidos", acrescentou.

O príncipe Turki al Faisal, ex-chefe dos serviços secretos sauditas, declarou nesta quarta-feira, em Londres, que as provas de que o Irã está por trás do complô são contundentes e que "alguém no Irã vai ter que pagar".

"As provas mostram claramente a responsabilidade oficial iraniana", afirmou o príncipe Al Faisal, ex-embaixador nos Estados Unidos e Reino Unido. "Alguém no Irã terá de pagar, independente do nível a que pertença, por este ato tão criminoso que é indescritível", acrescentou.

Denúncia

Ao fazer o anúncio sobre o possível plano iraniano, o procurador-geral dos EUA, Eric Holder afirmou que "a denúncia criminal revelada hoje (terça-feira) expõe um plano mortal dirigido por facções do governo iraniano para assassinar um embaixador estrangeiro em solo americano com explosivos".

Dois iranianos, Gholam Shakuri e Manssor Arbabsiar, foram indiciados por sua suposta participação no plano e devem responder a diversas acusações, entre elas a de conspiração para assassinar um oficial estrangeiro, para usar uma arma de destruição em massa e para cometer atos de terrorismo internacional.

Segundo Holder, o plano foi "concebido, patrocinado e conduzida pelo Irã" e constitui uma flagrante violação das leis americanas e internacionais, "incluindo a convenção que explicitamente protege diplomatas".

Logo após as declarações de Holder, um porta-voz do governo iraniano negou as acusações e disse que são "pré-fabricadas" para desviar a atenção do público dos problemas domésticos dos Estados Unidos.

Acusados

Um dos acusados, Shakuri, é membro da Força Quds, a unidade de elite responsável pelas operações internacionais da Guarda Revolucionária do Irã, e permanece foragido.

Os Estados Unidos consideram a Força Quds suspeita de patrocinar ataques contra as forças da coalizão internacional no Iraque e de apoiar o Taleban e outras organizações consideradas terroristas pelo governo americano.

O outro acusado, Arbabsiar, tem dupla cidadania iraniana e americana e foi preso em 29 de setembro, no aeroporto internacional John F. Kennedy, em Nova York. De acordo com informações do Departamento de Justiça, Arbabsiar teria confessado sua participação no plano. Caso condenado, pode ser sentenciado à prisão perpétua.

O diretor do FBI, Robert Mueller, disse que "muitas vidas" poderiam ter sido perdidas caso o plano não fosse descoberto a tempo.

Pouco após o anúncio, o Departamento do Tesouro anunciou sanções contra os dois acusados e outros três iranianos, membros do alto escalão da força Quds e também suspeitos de participação no plano. Eles terão seus bens nos Estados Unidos congelados e serão proibidos de manter negócios com cidadãos americanos.

Investigações

As investigações que levaram à descoberta do plano se estenderam durante vários meses. Segundo o porta-voz do Conselho de Segurança Nacional, Tommy Vietor, Obama foi informado sobre a trama ainda em junho e ordenou total apoio às investigações.

Em maio, Arbabsiar teria se encontrado, no México, com um informante da agência antidrogas dos EUA que se passava por membro de um cartel de narcotraficantes.

O Departamento de Justiça diz que o encontro foi o primeiro de muitos e que "elementos do governo iraniano" pretendiam pagar US$ 1,5 milhão (cerca de R$ 2,6 milhões) ao informante para que assassinasse o embaixador saudita.

Segundo o governo americano, as autoridades do México tiveram um papel importante nas investigações.

Com BBC, AFP e AP

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