EUA e UE criticam novas acusações contra Nobel da Paz em Mianmar

Estados Unidos, União Europeia e a Grã-Bretanha condenaram nesta quinta-feira as novas acusações feitas pelo governo de Mianmar à líder da oposição do país, Aung San Suu Kyi.

BBC Brasil |

AP
Ativistas pedem a libertação de Kyi em frente à embaixada de Mianmar em Seul
Ativistas pedem a libertação de Kyi
na embaixada de Mianmar em Seul
Ela deve ser julgada no próximo dia 18 por ter recebido visitas, o que violaria sua sentença de prisão domiciliar, depois que um americano tentou entrar em sua casa, aparentemente sem ter sido convidado.

Presa dentro de sua residência pela maior parte dos últimos 19 anos, a vencedora do prêmio Nobel da Paz deveria ser libertada no próximo mês, mas com as novas alegações, sua sentença pode se estender além das eleições de 2010, quando analistas acreditam que o governo do país pretende conseguir algum tipo de legitimidade.

Suu Kyi foi levada de sua casa em Yangun para o presídio de Insein, uma prisão de segurança máxima onde estão detidos outros dissidentes políticos

Críticas

O departamento de Estado dos EUA disse que a secretária de Estado, Hillary Clinton, pediu para ser mantida informada sobre o caso.

"Vimos esta notícia, que é certamente preocupante, se for verdadeira", disse o porta-voz Ian Kelly, segundo a agência de notícias AFP. O enviado da União Europeia para Mianmar, Piero Fassino, disse que "não há justificativa" para a detenção.

O premiê britânico, Gordon Brown, disse estar "profundamente preocupado que Aung San Suu Kyi possa ser acusada de violar os termos de sua detenção".

"O regime de Mianmar está claramente tentando encontrar qualquer pretexto, não importa o quão frágil, para estender esta detenção ilegal", disse ele.

'Tolo'

Pivô do caso, o americano John Yettaw, que segundo as autoridades de Mianmar é veterano da Guerra do Vietnã, foi preso depois de ter atravessado a nado o lago em frente à casa de Suu Kyi e ter se escondido lá por dois dias.

O advogado Jared Genser, que representa a família de Suu Kyi e assessora sua equipe legal, afirmou que vai contestar as acusações.

"A acusação é de violar os termos de sua prisão domiciliar, e o que seu advogado vai fazer é argumentar que claro que isso é ridículo porque, sim, pelos termos de sua prisão, ela não pode convidar pessoas a visitá-la. Mas está claro que ela não convidou essa pessoa a visitá-la", disse Genser à BBC. "Se alguém aparece na porta dela, violando as leis de Mianmar, ela não pode ser responsabilizada."

O principal advogado de Suu Kyi, Kyi Win, responsabilizou o americano pela prisão, referindo-se a ele como "um tolo". Segundo o correspondente da BBC no sudeste asiático, não estão claros os motivos do "visitante".

As informações são de que Suu Kyi será acusada de acordo com a legislação que garante a segurança do Estado contra elementos subversivos, o que poderia resultar em uma sentença de três a cinco anos de prisão.

A líder dissidente, que recebeu um Nobel da Paz por sua luta para tentar reestabelecer a democracia em Mianmar, passou a maior parte dos últimos 19 anos em prisão domiciliar.

Sua última sentença começou a ser cumprida em maio de 2003, depois de conflitos entre ativistas da oposição e manifestantes favoráveis ao governo militar de Mianmar.

A prisão domiciliar foi estendida no ano passado, numa decisão que, segundo analistas, é ilegal até mesmo para os limites determinados pela junta militar. Esta última sentença deveria expirar no fim de maio.

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