EUA e Síria expressam otimismo com aproximação após divergências

George Baghdadi. Damasco, 7 mar (EFE).- Representantes de Estados Unidos e Síria expressaram hoje otimismo ao fim da primeira reunião de alto nível entre os dois países nos últimos quatro anos, que buscou canalizar as relações bilaterais e superar uma era de divergências.

EFE |

Os representantes dos Estados Unidos na reunião foram o secretário-adjunto de Estado para o Oriente Médio, Jeffrey Feltman, e Dan Shapiro, do Conselho Nacional de Segurança.

Ambos ficaram reunidos por quatro horas na capital síria com o ministro de Assuntos Exteriores sírio, Walid al-Moualem, mas, apesar de haver a possibilidade de os enviados americanos se encontrarem com o presidente Bashar al-Assad, isso acabou não acontecendo.

No final da reunião com o chanceler sírio, Feltman afirmou aos jornalistas que Síria e Estados Unidos se encontravam "em um ponto de discussão muito construtivo".

"Esperamos fazer progressos para conseguir resultados na relação bilateral e em temas regionais", acrescentou o enviado especial americano.

Em comunicado, o Ministério de Assuntos Exteriores sírio disse que, na reunião, foram analisados os mecanismos para "fortalecer as relações bilaterais e também foram trocados pontos de vista sobre a situação regional com o objetivo de conseguir uma paz completa no Oriente Médio".

A nota oficial destacou que as duas partes compartilharam pontos de vista "idênticos sobre a importância de que continue o diálogo" entre os Governos para servir a seus interesses comuns e garantir a paz na região.

Esta foi a primeira visita de uma missão dos Estados Unidos de alta categoria a Damasco desde uma realizada em janeiro de 2005 pelo então subsecretário de Estado Richard L. Armitage.

A Síria não tem um embaixador americano desde 2005, quando a então encarregada da delegação diplomática, Margaret Scobey, foi retirada de Damasco.

A embaixadora abandonou a Síria em protesto contra o assassinato do ex-primeiro-ministro libanês Rafik Hariri, em 14 de fevereiro de 2005, um crime que líderes libaneses creem que tenha sido idealizado pelo regime sírio.

No entanto, as divergências datavam de 2003, quando o Governo de Damasco expressou sua total oposição à invasão americana do Iraque.

Além disso, os Estados Unidos expressam receio pelos vínculos da Síria com o Irã e pelo apoio que o Governo de Damasco fornece ao grupo xiita libanês Hisbolá e ao movimento palestino Hamas, que controla a Faixa de Gaza.

As tentativas de explorar novos caminhos nas relações entre Síria e EUA começaram após o presidente americano, Barack Obama, assumir o mandato, em 20 de janeiro.

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, se reuniu com Moualem no dia 2 de março, quando ambos participavam da conferência internacional para a reconstrução de Gaza, realizada em Sharm el-Sheikh, no Egito.

Antes, o senador americano e ex-candidato presidencial democrata John Kerry, presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, se reuniu em fevereiro, em Damasco, com o presidente sírio.

Paralelamente, o regime de Damasco está há meses tentando romper o isolamento internacional ao qual estava sendo submetido há vários meses por países ocidentais.

A visita de hoje dos enviados especiais americanos não teve grandes repercussões na imprensa local, mas a agência oficial "Sana" destacou que as conversas entre Damasco e Washington devem seguir para possibilitar que o Oriente Médio alcance a segurança e a estabilidade.

A "Sana" informou que, na reunião, o chanceler sírio estava acompanhado da assessora política e de informação da Presidência, Bouthaina Shaaban, e do vice-ministro de Exteriores, Faisal al-Miqdad.

Na sexta-feira, antes de chegar a Damasco, em uma escala anterior em Beirute, Feltman disse que sua visita à Síria buscava vincular o regime de Damasco para conseguir os objetivos da Casa Branca na região, sem dar mais detalhes.

Feltman afirmou aos jornalistas em Beirute que a Casa Branca quer que todos os Estados da região, "incluindo a Síria", se somem aos esforços para alcançar os objetivos regionais de Washington no Oriente Médio.

Ele ressaltou que os EUA ainda têm "uma longa lista" de preocupações sobre a Síria, mas que confiavam em que sua viagem a Damasco permitiria "começar a limar" essas diferenças. EFE gb/db

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG