EUA e Rússia traçam linha mestra de relações futuras

Macarena Vidal Sochi (Rússia), 6 abr (EFE).- Os presidentes dos Estados Unidos, George W.

EFE |

Bush, e da Rússia, Vladimir Putin, assinaram hoje um "marco estratégico" que firma as bases para a relação futura entre os dois países, embora tenham permanecido divergências em temas como o escudo antimísseis americano.

Os dois chefes de Estado e o presidente eleito russo, Dmitri Medvedev, deixaram isso claro na entrevista coletiva concedida após uma manhã de reuniões na cidade russa de Sochi.

Os líderes se mostraram otimistas sobre a possibilidade de um acordo sobre suas diferenças. Mas destacaram que há "muito trabalho" pela frente.

"A declaração reflete as divergências existentes, antes de tudo, no dossiê político-militar. Mas é importante destacar que reafirmamos nossa disposição de trabalhar para superá-las", disse Putin.

O "marco estratégico" vai servir de linha mestra para a relação futura entre as duas nações em áreas como a não-proliferação de armas de destruição em massa, a luta contra o terrorismo e a economia.

O acordo também evidencia as diferenças em torno do escudo antimísseis que os EUA planejam instalar no leste europeu.

No texto, a Rússia expressa que "não concorda" com o posicionamento de parte do escudo na Polônia, que deverá abrigar dez plataformas de lançamento de mísseis interceptores, e na República Tcheca, que terá um radar em seu território.

Moscou, que já propôs o Azerbaijão como sede alternativa para o sistema, vê o dispositivo como uma ameaça a seu território. Já os EUA alegam que o objetivo do escudo é impedir ataques vindos do Oriente Médio.

Para diminuir os temores da Rússia, os EUA ofereceram garantias, como inspeções no sistema por especialistas russos ou a não ativação dele até que o Irã ou outro país hostil da região realize um teste de mísseis balísticos contra a Europa.

O documento afirma que Moscou "aprecia as medidas que os EUA propuseram" e que "se estas forem pactuadas e colocadas em prática serão importantes e úteis para aplacar as preocupações russas".

No entanto, Putin declarou que "o diabo está nos pequenos detalhes": "É importante que os especialistas decidam quais serão as medidas de garantia e como serão implementadas".

Bush insistiu hoje que o propósito do escudo é a defesa e não o ataque. "Evidentemente, temos muito trabalho pela frente para convencer os especialistas de que este sistema não está dirigido contra a Rússia", disse o presidente americano.

Segundo Bush, o dispositivo se dirige contra "regimes que poderiam tentar converter os EUA em seus reféns" e não foi desenvolvido para fazer frente à "capacidade da Rússia de lançar múltiplos foguetes".

Os presidentes também deixaram claro durante a entrevista coletiva que continuam as diferenças em assuntos como a ampliação da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) para o Leste Europeu, principalmente em direção às ex-repúblicas soviéticas da Ucrânia e da Geórgia.

Para melhorar as relações com a Otan, afirmou Putin, "o que é preciso não é atrair as repúblicas a blocos militares, mas sim dialogar com a própria Rússia".

Em sua cúpula em Bucareste , encerrada na sexta-feira passada, a Aliança Atlântica se comprometeu a admitir no futuro a Ucrânia e a Geórgia como membros, embora não tenha oferecido um documento oficial que tornasse mais próxima a entrada desses países no grupo, como defendia os EUA.

Vários países aliados se declararam contra a iniciativa, entre eles a Alemanha e a França, em uma decisão que visa não irar a Rússia em um momento de transição presidencial em Moscou.

Um dos objetivos de Bush em Sochi era, precisamente, estar com o futuro presidente russo, Dmitri Medvedev, escolhido pessoalmente por Putin para ser seu herdeiro político.

Bush afirmou que a impressão que teve de Medvedev na reunião de hoje foi "muito favorável".

O presidente eleito da Rússia expressou sua intenção de continuar com a relação estratégica traçada por Putin e Bush, que para ele é "um fator-chave na estabilidade internacional". EFE mv/rr/sc

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