EUA e Rússia descartam que diferenças impeçam novo acordo nuclear

Washington, 7 mai (EFE).- A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, e o ministro das Relações Exteriores russo, Serguei Lavrov, asseguraram hoje que as diferenças entre os dois países em relação à Geórgia não impedirão as negociações para um novo acordo nuclear.

EFE |

Os dois funcionários se reuniram hoje em Washington pela primeira vez desde que se encontraram em Genebra, em março, e apertaram o "botão de reset (reinício)" das relações bilaterais, que sofreram tensões nos últimos oito anos.

Em entrevista após a reunião, Hillary informou que os dois discutiram sobre como podem, "através de esforços conjuntos, estabelecer um padrão e um exemplo para melhorar a segurança das instalações nucleares e impedir a proliferação de material nuclear no mundo".

Os presidentes dos dois países, Barack Obama e Dmitri Medvedev, mantiveram, em 1º de abril, uma reunião em Londres à margem da cúpula do Grupo dos Vinte (G20, que reúne as nações mais ricas e principais emergentes).

Na ocasião, eles concordaram em obter até o fim do ano um novo tratado para a redução dos arsenais nucleares que substitua o Start, assinado em 1991 e que expira em dezembro.

Os negociadores de ambos os países, informou Hillary, já começaram as tarefas para isso.

O chanceler russo destacou que "Rússia e Estados Unidos, como as duas principais potências nucleares, podem liderar esta questão e implicar outros".

Apesar de terem ressaltado os avanços neste assunto, os dois chefes das diplomacias dos países disseram que persistem pelo menos parte das divergências que motivaram as tensões entre Washington e Moscou nos últimos tempos.

Entre elas está a situação da Geórgia, pois tropas russas permaneceram em território georgiano após a invasão de agosto e onde Tbilisi acusou Moscou de estimular um levante militar pouco antes de manobras militares às quais a Rússia se opõe.

"Falamos da situação no Cáucaso. É certo que mantemos diferenças óbvias e não as escondemos, mas estamos de acordo com uma coisa, que temos que fazer o que pudermos para conseguir a estabilidade lá", afirmou Lavrov.

A redução dos arsenais, destacou o ministro, é "importante demais, tanto para os Estados Unidos como para a Rússia e o resto do mundo" para permitir que as diferenças sobre um país em particular bloqueiem a questão.

Por sua vez, Hillary afirmou que o fato de ambos os países terem "desacordos em uma área" não quer dizer que não vão "colaborar em outros assuntos de importância crucial".

Ambos conversaram também sobre a cooperação para conseguir o fim dos programas nucleares no Irã e na Coreia do Norte, ressaltaram.

O presidente americano, que viajará para Moscou em julho para uma cúpula com Medvedev, deve receber Lavrov nesta tarde na Casa Branca, em um gesto que o líder americano normalmente só reserva a chefes de Estado e de Governo. EFE mv/db

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