EUA e Rússia deixam novo tratado de desarmamento para 2010

MOSCOU - A Rússia e os Estados Unidos começarão o novo ano sem ter conseguido um novo tratado de desarmamento nuclear, mas seus líderes afirmaram que o documento está quase pronto e será assinado assim que forem definidos os últimos detalhes técnicos.

EFE |

Os dois países alcançaram "excelentes progressos" e estão "bastante próximos" de definir o acordo que substituirá o tratado Start, que expirou no último dia 5, disse o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, depois de se reunir ontem, em Copenhague, com o chefe de Estado russo, Dmitri Medvedev.

"Nossas posturas estão próximas e os assuntos negociados, fechados. Faltam detalhes técnicos que precisam de um trabalho de acabamento. Espero que possamos fazer isso em breve", disse Medvedev.

O assessor do Kremlin, Serguei Prikhodko, anunciou que as duas equipes de negociadores, que há oito meses trabalharam contra o relógio no novo acordo em Genebra, tirarão breves férias neste fim do ano.

"As delegações que negociaram ininterruptamente e sem descanso há vários meses tiram uma pequena pausa para as festas do Natal", disse, sobre as férias de fim de ano, que na Rússia incluem um longo feriado de dez dias em janeiro.

Prikhodko destacou a promessa dos presidentes de ter o texto pronto "em um futuro visível, dentro de pouco tempo", mas se negou a dar prazos, ao lembrar que o tratado Start de 1991 foi redigido durante dois anos.

Em sua última tentativa de fechar um acordo, a Casa Branca e o Kremlin deslocaram a Copenhague as duas equipes de negociadores, e os próprios presidentes estavam tão imersos no trabalho que Obama se sentou abaixo da bandeira russa e Medvedev, sob a americana.

"Graças aos dois líderes, conseguimos resolver três questões de princípio. E ainda restam outras duas, que não são detalhes técnicos, mas problemas sérios, que requerem vontade política", afirmou hoje o jornal "Kommersant", citando as palavras de um negociador russo.

O especialista se mostrou convencido de que as partes conseguirão definir suas posturas, mas estava cético diante da possibilidade de que esse trabalho termine em janeiro.

"É um documento novo, em princípio, em comparação ao Start. Sua principal diferença está em que estabelece uma paridade absoluta em todas as categorias (de armamento), e isso é o que requer tempo", disse.

Em julho, Obama e Medvedev decidiram, em Moscou, que o novo tratado, que teria uma vigência de dez anos, reduziria o número de ogivas nucleares de cada país a um número de entre as 1,5 mil e 1,675 mil em seus primeiros sete anos.

Entre as principais divergências, o negociador russo mencionou a falta de acordo sobre o número de vetores, ou portadores das ogivas nucleares, que Obama e Medvedev decidiram em julho reduzir até um teto de entre 1,1 mil e 500.

O especialista disse que, no começo das negociações, os EUA propuseram uma redução a até 1,1 mil vetores, enquanto a Rússia colocou como limite 500, e continua rejeitando o número de 800 sugerido depois pela delegação americana.

Entre outros problemas, o especialista citou a falta de clareza sobre como contabilizar os bombardeiros pesados e sobre como cumprir o desejo de Moscou de ligar no texto os armamentos estratégicos ofensivos com os defensivos, ou seja, com a defesa antimísseis.

Também não há acordo sobre a troca de dados de telemetria sobre os testes de mísseis, que Moscou resiste a entregar a Washington, uma vez que, expirado o Start, terminaram as inspeções americanas nas fábricas de foguetes russas - os EUA, atualmente, não realizam provas de mísseis balísticos.

O especialista admitiu que a Rússia e os EUA não devem ter pressa, mas preparar bem o acordo, mas acredita que, para evitar críticas, Obama e Medvedev devem assiná-lo até maio, quando acontecerá uma conferência da ONU sobre o Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP).

Segundo fontes russas, atualmente, os EUA têm 5,576 mil ogivas nucleares e 1,198 mil portadores, enquanto a Rússia dispõe de 3,909 mil cargas atômicas e 814 vetores.

Em mísseis, os dois países têm relativa paridade - 550 nos EUA e 469 na Rússia -, mas nos russos está instalado quase o dobro de ogivas, 2,005 mil frente a 1,25 mil nos foguetes norte-americanos.

Os EUA superam a Rússia no número de bombardeiros estratégicos (216 contra 77) e no de mísseis instalados em submarinos nucleares (432 contra 268).

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