EUA e Rússia chegam a acordo nuclear e reduzirão arsenal em 30%

Os presidentes dos EUA, Barack Obama, e da Rússia, Dmitri Medvedev, fecharam um acordo para um histórico tratado de redução de armas nucleares nesta sexta-feira. O tratado, que contempla a redução de 30% das ogivas nucleares, será assinado em 8 de abril em uma cerimônia em Praga, na República Checa.

iG São Paulo |

Pelo acordo, cada um dos países terá direito a manter apenas 1.550 ogivas. Além disso, segundo a Casa Branca, EUA e Rússia só poderão ter 800 vetores estratégicos, como são chamados os equipamentos que permitem lançamentos à longa distância, como mísseis intercontinentais, submarinos e bombardeiros estratégicos.

AP
Da esq. para dir.: Mullen, Hillary, Obama e Gates anunciam acordo nuclear

Da esq. para dir.: Mullen, Hillary, Obama e Gates anunciam acordo nuclear

Após meses de impasse, o acordo para o tratado que substituirá o pacto Start (Tratado de Redução de Armas Estratégicas), da era da Guerra Fria, é a mais importante conquista de política externa de Obama desde que chegou ao poder e também reforça seu esforço para "reiniciar" os laços dos EUA com Moscou.

"Tenho a satisfação de anunciar que, após um ano de negociações intensas, EUA Unidos e Rússia alcançaram o mais abrangente acordo de controle de armas em quase duas décadas", disse Obama, que fez os retoques finais no acordo histórico em um telefonema a Medvedev.

Na coletiva, ele estava acompanhado pela secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, o secretário de Defesa Robert Gates e o chefe do Estado-Maior Conjunto, Mike Mullen. Para Hillary, o acordo transmitirá ao Irã e à Coreia do Norte, países envolvidos em impasses nucleares com o Ocidente, uma mensagem sobre seu compromisso em impedir a proliferação nuclear.

Durante o período da Guerra Fria, os EUA chegaram a ter mais de 15 mil ogivas nucleares estratégicas, e a Rússia, mais de 10 mil. O arsenal americano é estimado atualmente em mais de 2 mil ogivas nucleares estratégicas e o da Rússia, em mais de 2,5 mil.

Obama destacou que, com o acordo, os dois países "enviam um sinal claro de que querem liderar" a não-proliferação nuclear no mundo. "Ao confirmar nossos próprios compromissos sob o Tratado de Não-Proliferação Nuclear, fortalecemos nossos esforços mundiais de impedir a disseminação das armas e garantir que outras nações cumpram com suas próprias responsabilidades", disse Obama. Em Moscou, Medvedev saudou o acordo, dizendo que reflete "o equilíbrio dos interesses dos dois países", disse o Kremlin.

Pelos termos do acordo, válido por dez anos, cada lado terá de reduzir suas ogivas estratégicas posicionadas das 2.200 atuais para 1.550, com os dois países também sendo obrigados a fazer reduções importantes em seu estoque de lançadores, disse a Casa Branca.

Conferência nuclear

Obama e Medvedev pretendem assinar o novo Tratado de Redução de Armas Estratégicas, que substituirá um tratado de 1991 cuja vigência terminou em dezembro, em 8 de abril em Praga, capital da República Checa, antigo satélite soviético que atualmente faz parte da Otan.

Essa data é próxima do aniversário do discurso proferido por Obama em Praga no ano passado, anunciando sua intenção de livrar o mundo de armas nucleares, e vai ajudar a dar impulso à segunda cúpula sobre segurança nuclear da qual Obama será anfitrião em Washington, entre 12 e 14 de abril.

A Casa Branca disse que o novo tratado não restringirá os programas americanos de defesa antimísseis, que vinham representando um obstáculo nas negociações, por causa das objeções da Rússia a esses planos.

AP
Hillary Clinton

Hillary visivelmente alegre com acordo durante coletiva


"O tratado reduzirá em mais ou menos um terço as armas nucleares dos EUA e Rússia. Ele prevê uma redução significativa dos mísseis e lançadores e a instalação de um regime de verificação eficaz e forte", disse Obama.

"Além disso, conserva a flexibilidade de que precisamos para proteger e promover nossa segurança nacional e para garantir nosso compromisso inabalável com a segurança de nossos aliados."

Obama ainda enfrentará uma luta no Senado americano para a ratificação do tratado, em um momento de rancor partidário depois da disputa acirrada que terminou com a aprovação pelo Congresso da reforma da saúde .

Ele disse que vai trabalhar estreitamente com outros democratas e com a oposição republicana para obter a aprovação pelo Senado do tratado, que requer uma maioria de dois terços para ser ratificado.

O novo pacto pode fortalecer Obama politicamente, garantindo a ele uma importante vitória na área da política externa, que virá a somar-se à vitória na política doméstica que ele teve esta semana quando sancionou a reforma da saúde .

Negociadores russos e americanos vinham há quase um ano tentando conseguir um pacto para dar continuidade ao START. Eles perderam o prazo final de 5 de dezembro, quando terminou a vigência do Start I.

*Com informações da Reuters, EFE e BBC

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