EUA e Rússia assinam acordo para reduzir armamento nuclear

Macarena Vidal. Moscou, 6 jul (EFE).- Os presidentes dos Estados Unidos, Barack Obama, e da Rússia, Dmitri Medvedev, fecharam hoje um acordo sobre o novo tratado para reduzir suas armas nucleares, em uma reunião com o objetivo de retomar as relações entre os dois países.

EFE |

O acordo assinado hoje compromete as partes a chegarem a um pacto que substitua o atual Tratado sobre a Redução de Armas Estratégicas (Start, na sigla em inglês), que terá vigência de dez anos e reduzirá o número de ogivas nucleares para entre 1.500 e 1.675 e seus vetores para 500 a 1000.

O tratado Start, assinado em 1991 e que vence em dezembro, estabelece um máximo de 2.200 ogivas nucleares permitidas e 1.600 vetores.

O novo pacto "incluirá medidas efetivas de verificação" e, segundo a Casa Branca, "melhorará a segurança tanto dos EUA, quanto da Rússia".

Os presidentes já tinham antecipado sua vontade de alcançar um tratado que substituísse o Start em sua primeira reunião, realizada em Londres, em abril.

Em entrevista coletiva conjunta após a reunião, o presidente americano assegurou que o tratado deve estar pronto para assinatura ainda este ano e que os EUA e a Rússia "devem dar o exemplo".

Obama ressaltou que a luta contra a proliferação nuclear deve ser prioritária e propôs a realização de uma cúpula sobre segurança atômica, no ano que vem, em seu país.

O presidente americano sugeriu ainda uma segunda cúpula, que poderia ser marcada para um ano depois, na Rússia.

No total, os EUA e a Rússia assinaram oito acordos hoje, que incluem um pacto pelo qual a Rússia autoriza o uso de seu espaço aéreo e seu território para a passagem de abastecimento e equipamentos para as tropas americanas no Afeganistão.

Além disso, os países concordaram em normalizar suas relações militares, interrompidas após a invasão russa na Geórgia, no ano passado.

Os dois países decidiram constituir uma comissão conjunta de especialistas, que estudará os riscos dos mísseis balísticos, especialmente no Irã e na Coreia do Norte, e emitirá uma série de recomendações para superar as diferenças sobre o escudo antimísseis que os EUA querem construir no leste europeu.

A Rússia considera esse escudo uma ameaça contra seu território.

Os EUA afirmam que têm somente o objeto de impedir possíveis ataques de Teerã ou Pyongyang.

Obama disse na entrevista coletiva que a avaliação poderia estar pronta no início do segundo semestre.

Medvedev propôs a Obama um escudo antimísseis que seja capaz de proteger todos os países do mundo.

"O número de ameaças, incluindo as relacionadas com mísseis balísticos e de médio alcance, infelizmente não diminui, mas cresce, e todos devemos pensar na configuração de um sistema antimísseis", declarou o líder russo.

"As divergências sobre o tema eram totais há pouco tempo", disse Medvedev, e opinou que este novo enfoque permite "avançar na aproximação das duas posições".

O presidente americano elogiou Medvedev e assegurou que "confia nele". Depois lembrou que amanhã participará de um café da manhã com o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, e reuniões com representantes da sociedade e economia russas.

Obama reconheceu que Medvedev e ele não estão de acordo em tudo e que ainda há divergências em áreas como a situação na Geórgia, já que Moscou reconheceu a independência das regiões da Abkházia e da Ossétia do Sul.

O presidente americano insistiu que "a soberania e a integridade territorial da Geórgia devem ser respeitadas". EFE mv/pd

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG