EUA e parceiros concordam que desnuclearização é única opção de Pyongyang

Miguel F. Rovira.

EFE |

Phuket (Tailândia), 22 jul (EFE).- Os Estados Unidos e seus quatro parceiros nas negociações com a Coreia do Norte - China, Japão, Coreia do Sul e Rússia - concordaram hoje que a única opção do regime de Pyongyang é a "desnuclearização irreversível e completa".

O anúncio foi feito pela secretária de Estado americana, Hillary Clinton, após as reuniões realizadas na ilha tailandesa de Phuket, na véspera do fórum asiático de segurança.

Hillary afirmou, em entrevista coletiva, que a China, a Coreia do Sul, o Japão e a Rússia estão de acordo com Washington de que a comunidade internacional mantenha uma postura firme para conseguir que o regime de Pyongyang abandone seu programa nuclear.

"Queremos passos verificáveis e irreversíveis", destacou.

Acrescentou que esses passos, que, como especificou, deverão ser definidos por uma equipe de especialistas, caso Pyongyang mude sua atual política, incluem o desmantelamento total do principal reator nuclear de Yongyong e a entrega de todas as suas reservas de plutônio.

"Não tentamos recompensar a Coreia do Norte por só retomar as negociações, também não vamos recompensar por ações às quais já se comprometeram e depois renegaram", afirmou Hillary.

A líder da diplomacia americana explicou que, além disso, "a necessidade de que o processo de implementação da resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas seja transparente, vigorosa e unificada".

"Falamos também dos passos que temos que adotar de forma individual e conjunta, para que se aplique o embargo de armas, as medidas financeiras e as inspeções", assinalou.

Hillary ressaltou que o regime norte-coreano receberá uma bateria de incentivos, somente se desmantelar totalmente seu programa nuclear.

"Deixamos bem claro aos norte-coreanos que realizem uma desnuclearização completa. Os EUA e seus parceiros darão passos para frente, com uma bateria de incentivos e oportunidades, incluindo a normalização das relações", explicou Hillary, após as rodadas de conversas bilaterais que manteve com seus colegas.

Antes, o Governo japonês defendeu que o fórum asiático de segurança, do qual fazem parte a União Europeia (UE), os EUA e outros 25 países, condene com dureza a intenção da Coreia do Norte de manter seus programas de armas nucleares.

"Devemos deixar claro que o desenvolvimento dos programas nucleares e de mísseis por parte da Coreia do Norte nunca poderão ser tolerados", disse, em entrevista coletiva, o porta-voz do Ministério de Assuntos Exteriores do Japão, Kazuo Kodama.

Pyongyang disse em abril que abandonaria as negociações para a desnuclearização, como protesto contra a condenação do Conselho de Segurança da ONU pelo lançamento de um foguete de longo alcance no mesmo mês, que se suspeita que fosse o teste encoberto de um míssil.

O regime comunista realizou, além disso, seu segundo teste nuclear em maio, além de vários lançamentos de testes de mísseis de curto alcance em direção ao Mar do Japão, o que resultou em novas e mais firmes sanções por parte do Conselho de Segurança.

Antes de chegar a Phuket, onde assinou em representação de seu país o pacto de não-agressão da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean, na sigla em inglês), Hillary advertiu hoje que os EUA "mantêm aberta a porta ao Irã", embora estejam preparados para reforçarem os sistemas de defesa de seus países vizinhos, se o país insistir em desenvolver seu programa nuclear.

"Manteremos a porta aberta (para negociar com o Irã), mas deixamos claro que empreenderemos ações, como disse várias vezes, para melhorar a defesa de nossos parceiros na região", disse, em Bangcoc, durante uma entrevista ao canal estatal da televisão tailandesa.

Na semana passada, Hillary anunciou que os EUA estão preparados para dialogar com o Irã, mas advertiu a Teerã que esta oferta não permanecerá sobre a mesa indefinidamente.

"Se os EUA montarem um guarda-chuva defensivo na região, se fizermos mais para apoiar a capacidade militar dos países do Golfo (Pérsico), é improvável que o Irã seja mais forte ou seguro, porque não serão capazes de intimidar e dominar como aparentemente acreditam que poderão, quando tiverem uma arma nuclear", explicou.

O presidente americano, Barack Obama, propôs uma mudança de rumo nas relações com a República Islâmica.

No entanto, Teerã resiste, por enquanto, a suspender seu programa atômico, que Washington suspeita ser uma cortina de fumaça para fabricar armas nucleares. EFE mfr/pd

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