EUA e ONU firmam acordo sobre cooperação no Haiti

NAÇÕES UNIDAS (Reuters) - Os Estados Unidos e a Organização das Nações Unidas (ONU) assinaram nesta sexta-feira um acordo esclarecendo que cabe à entidade global a coordenação do auxílio internacional ao Haiti depois do terremoto deste mês. Funcionários da ONU, agentes humanitários e diplomatas vinham reservadamente se queixando das tensões entre os militares norte-americanos e a ONU nos primeiros dias depois da tragédia, quando governos do mundo inteiro se apressavam em enviar ajuda humanitária ao miserável país caribenho.

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"Este acordo formaliza a relação de trabalho entre os Estados Unidos e a ONU no território do Haiti, e assegura que esta cooperação vai continuar nos desafiadores dias e semanas pela frente", disse em nota a embaixadora dos EUA na ONU, Susan Rice.

Com um contingente ampliado de 12.651 soldados e policiais, a Minustah (missão da ONU no Haiti, sob comando do Brasil) é responsável por ajudar as autoridades haitianas a manterem "um ambiente seguro e estável", diz o acordo, segundo o qual "a ONU está coordenando a resposta internacional ao terremoto haitiano."

Mas o texto deixa claro que cabe primariamente ao governo do Haiti reagir à tragédia, prover a segurança e liderar o processo de recuperação e reconstrução.

O acordo diz ainda que os mais de 13 mil militares norte-americanos atualmente presentes no Haiti e na sua costa não se subordinam à força da ONU. Por outro lado, o governo dos EUA se compromete a apoiar o trabalho humanitário que a ONU disser ser prioritário.

Na quarta-feira, a entidade francesa Médicos Sem Fronteiras, uma das principais agências humanitárias, acusou os EUA de prejudicarem as operações de ajuda no Haiti e de provocar graves atrasos para os médicos que tentam levar ajuda vital às vítimas.

Françoise Saulnier, diretora jurídica dos Médicos Sem Fronteiras, disse que vários dias foram perdidos porque o aeroporto de Porto Príncipe, sob controle dos EUA desde poucas horas depois do tremor do dia 12, havia sido bloqueado pelo tráfego militar.

Funcionários da ONU e diplomatas posteriormente minimizaram as tensões, dizendo que tais conflitos eram inevitáveis em meio ao caos que se segue a um desastre dessa dimensão.

(Reportagem de Louis Charbonneau)

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