EUA e ONU aumentam pressão sobre Coreia do Norte

Em resposta a ataque contra navio sul-coreano, Pentágono anuncia exercícios militares com Seul e ONU ameaça punir Pyongyang

iG São Paulo |

A pressão sobre a Coreia do Norte em resposta ao naufrágio do navio de guerra sul-coreano Cheonan aumentou nesta segunda-feira, quando o Pentágono anunciou que realizará exercícios navais conjuntos com a Coreia do Sul e o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou que o Conselho de Segurança da ONU terá de tomar ações contra o regime de Pyongyang pelo ataque , que matou 46 marinheiros sul-coreanos em 26 de março.

O porta-voz do Departamento de Defesa dos EUA, Bryan Whitman, disse que as manobras serão feitas "em um futuro próximo" e terão o objetivo de melhorar a capacidade dos dois países de detectar a presença de submarinos inimigos e bloquear a passagem de embarcações com carga nuclear.

Reuters
Militar sul-coreano exibe parte de torpedo supostamente lançado pela Coreia do Norte

O anúncio representa a maior resposta dos EUA às crescentes tensões entre as duas Coreias, após o afundamento do navio. Na semana passada, foi publicado um relatório elaborado por analistas internacionais que confirma a responsabilidade da Coreia do Norte no ataque .

O governo do presidente americano, Barack Obama, "deu ordens a seus comandantes para que se coordenem estreitamente com seus pares sul-coreanos, para garantir que estejam preparados e impeçam futuras agressões", segundo um comunicado emitido nesta madrugada, no qual a Casa Branca expressa seu "inequívoco" apoio militar à defesa da Coreia do Sul.

Os anúncios foram feitos no mesmo dia em que o presidente da Coreia do Sul, Lee Myung-bak,  suspendeu o comércio com a Coreia do Norte e exigiu um pedido de desculpas pelo incidente. Para Lee, os responsáveis pelo ataque contra o navio Cheonan têm que ser punidos, afirmando que levará o caso ao Conselho de Segurança da ONU.

AP
Lee Myung-bak, presidente da Coreia do Sul, discursa nesta segunda-feira
O presidente sul-coreano também anunciou que os navios da Coreia do Norte serão banidos das águas do sul e afirmou que, no caso de um novo ataque, vai exercer imediatamente seu direito de defesa.

Em um discurso transmitido pela televisão, o presidente sul-coreano afirmou que seu país estava se esquecendo de que "divide a fronteira com um dos países mais propensos à guerra do mundo". "Exorto as autoridades da Coreia do Norte a fazer o seguinte: pedir desculpas à Coreia do Sul e à comunidade internacional. Punir imediatamente os responsáveis e os envolvidos no incidente."

Segundo a BBC, a suspensão do comércio e a proibição do tráfego de navios norte-coreanos em águas sul-coreanas são, provavelmente, as mais duras medidas que a Coreia do Sul poderia adotar, ficando um pouco aquém de uma ação militar.

Em viagem à China, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, pediu ao governo da China que coopere com os Estados Unidos na questão da Coreia do Norte. Em uma reunião de cúpula EUA-China, Hillary afirmou que Pyongyang tem de ser cobrado pelo ataque contra o Cheonan. "Pedimos à Coreia do Norte que cesse esse comportamento provocador e cumpra as leis internacionais", acrescentou ela.

A China é o principal parceiro comercial da Coreia do Norte e, no passado, mostrou-se relutante em adotar medidas mais duras contra o Estado comunista.

'Fabricação'

As medidas foram anunciadas menos de uma semana depois que especialistas dos Estados Unidos, Grã-Bretanha, Austrália e Suécia concluíram, em um relatório, que o navio militar sul-coreano foi afundado depois de ser atingido por um torpedo.

De acordo com o relatório, partes do torpedo recuperadas do fundo do mar mostram um tipo de letra encontrado em outros torpedos norte-coreanos. A Coreia do Norte nega qualquer envolvimento no incidente, afirmando que os resultados da investigação são uma "fabricação", e ameaçando com guerra, caso sejam impostas novas sanções.

AFP
Destroços do navio Cheonan foram içados em abril para investigação sobre naufrágio

*Com EFE, New York Times e BBC

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