EUA e México relançam Iniciativa Mérida, plano de combate ao narcotráfico

Raúl Cortés. Puerto Vallarta (México), 23 out (EFE).- A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, e a chanceler mexicana, Patricia Espinosa, relançaram hoje a Iniciativa Mérida, embora não tenham definido quando nem como serão entregues os fundos do plano de cooperação antidroga.

EFE |

A definição de um novo encontro no final de novembro, em Washington, foi o principal avanço feito em Puerto Vallarta, destino turístico mexicano escolhido especialmente para conseguir que a reunião fosse menos tensa, declarou Rice à imprensa que a acompanhou no avião no qual chegou ontem.

Assim, longe das cenas diárias de violência registradas em outras partes do país, onde o crime organizado deixou 4 mil mortos este ano, Rice e Espinosa assinaram o Acordo Bilateral sobre Cooperação na Administração de Emergências em caso de Desastres Naturais e Acidentes.

Elas também conversaram sobre a crise financeira mundial e as estreitas relações comerciais que unem o México e EUA.

Rice se mostrou contente pela escolha do México como membro não-permanente do Conselho de Segurança da ONU e se mostrou convencida de que este país será "um integrante responsável" do organismo em um momento no qual o conselho vai enfrentar grandes desafios.

No entanto, como era previsto, a segurança e a luta contra os cartéis de drogas centraram a discussão, na qual os analistas não tinham muitas expectativas devido à proximidade da mudança de Governo em Washington.

A secretária de Estado americana agradeceu o compromisso mexicano no tema e minimizou a importância do "lamentável incidente" de 11 dias atrás em Monterrey, onde desconhecidos realizaram vários disparos contra o Consulado Geral dos EUA.

Apesar disso, ela reiterou o interesse de Washington em aplicar o mais rápido possível a Iniciativa Mérida, "importante e histórica", porque leva o esforço dos dois países em política antidroga "para um nível superior".

Este projeto prevê a entrega de quase US$ 1,5 bilhão para o México e a América Central, fundos que o presidente George W. Bush solicitou ao Congresso em 2007 para o orçamento fiscal de 2008 e que já foram aprovados pelo Legislativo americano.

Com relação à distribuição desse dinheiro, Rice declarou que, para seu país, essa é uma "tarefa urgente" que depende da assinatura de um acordo no qual trabalham as duas partes, embora não tenha esclarecido se isto poderia acontecer na reunião marcada para novembro em Washington.

Já Espinosa lembrou que o plano "não se limita somente à transferência de recursos, mas é um marco de cooperação muito mais amplo", pois inclui capacitação de pessoal e apoio tecnológico.

A chanceler mexicana sustentou que a cooperação bilateral "teve um efeito visível muito positivo em ambos os lados da fronteira", como a apreensão de 55 mil armas desde dezembro de 2006, quando Felipe Calderón assumiu a Presidência do México.

Além disso, Espinosa reiterou que como parte desse projeto, "de nenhuma maneira haverá agentes americanos armados no México, realizando ações que estão reservadas às autoridades desse país".

A onda de violência no México, ainda que não afete diretamente a localidades como Puerto Vallarta, um dos lugares preferidos dos turistas americanos, é motivo de preocupação nos EUA, como foi expresso na recente renovação do alerta de se viajar para a nação vizinha.

Segundo Ted Carpenter, vice-presidente de Estudos sobre Defesa e Relações Exteriores do Cato Institut, "a preocupação de Washington é compreensível".

"Os turistas americanos estão evitando os destinos populares que visitavam antes, especialmente nas cidades ao longo da fronteira entre EUA e México. A violência está se propagando até do lado americano da fronteira, em nossos estados do sudoeste", declarou Carpenter à Agência Efe. EFE rac/rb/plc

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