CIDADE DO MÉXICO - Os Governos de Estados Unidos e México inauguraram hoje uma nova era em suas relações bilaterais, ao decidirem a dar ênfase na responsabilidade compartilhada e nos esforços conjuntos na luta contra o crescimento exponencial do crime organizado em território mexicano.

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, iniciou uma visita de dois dias ao México, a primeira que faz a um país latino-americano desde que assumiu o cargo.

Hillary afirmou que as duas nações precisam de uma nova "aliança, forte e sustentada, baseada num compromisso integral, num maior equilíbrio, numa responsabilidade compartilhada e em esforços conjuntos".

Trabalhar sob esses princípios abrirá "um novo século de cooperação e progresso conjunto", disse a secretária de Estado numa entrevista coletiva com seu colega mexicana, Patricia Espinosa A ex-primeira-dama frisou que o presidente americano, Barack Obama, entende que o narcotráfico, que no ano passado causou 5.600 mortes no México e se alastrou por mais de cem cidades americanas, é "um problema compartilhado".

Como prova disso, disse que o Governo americano sabe "que os traficantes são motivados pela demanda por drogas ilegais nos EUA e que se armam mediante o tráfico de armas dos EUA ao México": "Por isso consideramos nossa responsabilidade apoiar o Governo e o povo mexicanos no combate a um inimigo que gera violência".

Neste sentido, a Hillary anunciou que Washington doará mais US$ 80 milhões para a compra de helicópteros Blackhawk destinados à luta contra o crime organizado no México, que gradualmente deslocou em importância e poder os cartéis colombianos.

Além disso, a secretária de Estado comunicou a criação de um "escritório bilateral" na Cidade do México, no qual funcionários de ambos os países "trabalharão juntos para contra os traficantes de drogas".

Ontem, a secretária de Segurança Nacional dos EUA, Janet Napolitano, já tinha anunciado um plano para controlar o contrabando de armas e a lavagem de dinheiro que abastecem os criminosos mexicanos, o qual prevê o aumento da presença de agentes federais na fronteira, da capacidade de obtenção de dados de inteligência e da cooperação entre as autoridades dos dois países.

Esse plano, que as autoridades mexicanas classificaram como "congruente" e "em linha" com o tipo de cooperação que eles buscam com seus colegas americanos, ainda não contempla o envio de tropas militares à fronteira, como pediram alguns estados do sul dos EUA.

Além disso, se soma à chamada Iniciativa Mérida, um plano de ajuda americano aos esforços do México para combater o crime organizado.

Nesta quarta-feira, Hillary também anunciou que o Governo dos EUA, visando aumentar o comércio e o turismo, gastará US$ 720 milhões na modernização dos postos de controle na fronteira com o México.

No entanto, durante seu encontro com a chefe da diplomacia americana, o presidente mexicano, Felipe Calderón, destacou que "apesar dos primeiros avanços em matéria de corresponsabilidade entre os dois países na luta contra o crime organizado, a cooperação binacional nesta matéria deve ser fortalecida", informou a Presidência mexicana num comunicado.

Hillary também aproveitou sua visita para discutir outros temas, como a imigração, o comércio, a competitividade e o desenvolvimento da fronteira, além da participação do México no Conselho de Segurança da ONU e na próxima cúpula do G20, em Londres.

Sobre a questão dos imigrantes, a secretária de Estado afirmou que Obama "continua comprometido com a reforma migratória", que tem "elevada prioridade" em sua Administração.

A esse respeito, a chanceler mexicana disse que o México se "preocupa" com situação dos mexicanos imigrantes que vivem ilegalmente nos EUA.

Por isso, o México considera importante "que o marco legal (americano) que rege as questões de imigração seja adequado para que responda à realidade migratória e à necessidade de mudança do clima em que vivem atualmente os mexicanos" estabelecidos do outro lado da fronteira, disse Espinosa.

Amanhã, Hillary viajará para Monterrey, onde visitará uma usina que gera energia de forma sustentável e presenciará a assinatura de vários acordos de colaboração entre universidades mexicanas e americanas.

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