EUA e Japão rejeitam entrada de emergentes no G8

TOYAKO - O governo dos Estados Unidos e do Japão expressaram, nesta segunda-feira, sua oposição a uma ampliação do Grupo dos Oito (G8) para incluir as economias emergentes, como foi defendido pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy, que é a favor da inclusão do Brasil no grupo.

Redação com agências internacionais |

"É algo que não acreditamos que seja necessário neste momento", disse à Agência EFE o porta-voz do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, Gordon Johndroe, após a inauguração hoje da cúpula anual do G8, integrado atualmente pelos países mais industrializados e a Rússia, no Japão.

O porta-voz disse que o sistema atual já permite a incorporação nas sessões do G8 de outros países, não havendo a necessidade de alterar o formato.

Yasuo Fukuda também assinalou não acreditar que este seja o momento para uma expansão deste fórum de países. "Esta cúpula oferece uma oportunidade valiosa e significativa para que um limitado número de países assuma uma grande responsabilidade na sociedade internacional, a fim de intercambiar opiniões de forma franca", apontou o primeiro-ministro japonês.

O Japão é o único país asiático membro do G8, e não quer ver a China muito perto, segundo analistas citados pela imprensa japonesa.

Sarkozy, pelo contrário, se mostrou a favor de expandir o G8, para incluir em suas cúpulas as nações emergentes, entre elas Brasil e México.

Em entrevista publicada hoje pelo jornal japonês "Yomiuri", Sarkozy diz que o G8 deveria promover o diálogo com as nações emergentes do G5, que é integrado por Brasil, China, Índia, África do Sul e México.

O presidente francês indicou que o G8 precisa expandir-se para demonstrar que toma decisões "com justiça", em referência à crescente relevância dos países emergentes no mundo.

Sarkozy disse este fim de semana em Paris que "não é justo nem razoável" que apenas oito países se reúnam para discutir os problemas do mundo, quando este é "universal".

O primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, apóia essa idéia, pois acredita que países como a Índia "devem estar representados na nova ordem".

Embora os EUA não queiram a ampliação do G8, o país defende neste fórum que as duas economias asiáticas emergentes, Índia e China, sejam inseridas em um acordo vinculativo para reduzir as emissões de CO2 na atmosfera.

Inclusão do Brasil

Uma pesquisa realizada pelo instituto de pesquisas políticas Brookings Institution, de Washington, revelou que 63% das autoridades de 16 países são a favor de uma versão ampliada do G8 , com a inclusão de Brasil, Índia, China, África do Sul e México.

A enquete também aponta que 85% dos consultados acreditam que o mundo precisa de ''um mecanismo que atue como um guia global'', mas que ''apenas 15% acreditam que o G8 esteja desempenhando esta tarefa''.

Na pesquisa, foram ouvidas 76 autoridades governamentais e especialistas de 16 países de economias desenvolvidas e emergentes, entre eles Brasil, Estados Unidos, Alemanha, Grã-Bretanha, França, Argentina, Rússia e China.

O que é o G8

O poderoso clube de países reunido em Hokkaido foi criado em 1975, após a crise do petróleo, com seis membros. No ano seguinte o Canadá foi incorporado e, em 1997, a Rússia. Na época, as oito nações acumulavam 65% do PIB mundial.

Atualmente, o grupo representa 58% do PIB mundial, e é responsável por 60% das emissões de gases que produzem o efeito estufa.

Esta é a maior cúpula do G8 desde 1975, pois receberá até quarta-feira líderes de 22 países: seus oito membros, sete economias emergentes e sete nações pobres, que querem que os mais ricos mantenham suas promessas de ajuda ao desenvolvimento.

(*Com informações da agência EFE e da BBC)

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