EUA e Israel criticam Unesco por recomendar adesão palestina

Comitê da organização encaminhou o pedido de reconhecimento feito pelos palestinos para votação na Conferência Geral no fim do mês

iG São Paulo |

Israel e os EUA criticaram nesta quarta-feira a recomendação do Comitê Executivo da Unesco , agência de cultura das Nações Unidas, de aceitar a adesão palestina ao órgão. A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, alertou o órgão, e disse para que ficasse longe da questão do Estado palestino, ou encararia as consequências. Para Hillary, as ações da Unesco são inexplicáveis, uma vez que um pedido de reconhecimento já está tramitando no Conselho de Segurança da ONU.

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O presidente palestino Muhammad Abbas se encontrou com a chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton

"No Conselho de Segurança há um processo em curso. É, portanto, incoerente tomar decisões a respeito de organismos da ONU antes de o Conselho se pronunciar", argumentou também Victoria Nuland, porta-voz do Departamento de Estado.

Legisladores alertaram a Unesco que sua aprovação à adesão palestina pode levá-los a perder milhões de dólares dos fundos americanos. De acordo com dois oficiais de alto escalão da organização, a perda estaria avaliada em cerca de US$ 80 milhões.

O pedido de adesão à Unesco é mais uma ação no movimento palestino que busca o reconhecimento de seu Estado. Durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmud Abbas, fez um requerimento formal à organização para que eles considerassem os palestinos como um país-membro. Esse pedido tramita lentamente no Conselho de Segurança atualmente e os EUA já anunciaram que utilizarão seu poder de veto .

O Comitê Executivo de 58 membros da Unesco reviu o esboço de resolução e aprovou nesta quarta-feira, com 40 votos, seu envio para votação na Conferência Geral. Os palestinos têm status de observadores na Unesco desde 1974 e para ganhar status de membro pleno, os chamados "Estados" que não são membros da ONU podem ser admitidos na Unesco se forem aprovados por maioria de dois terços na Conferência Geral.

Quem também criticou a medida foi Israel, que acusa os palestinos de ignorarem os apelos internacionais. "As ações dos palestinos na Unesco negam por sua vez as negociações bilaterais e a proposta do Quarteto de continuar o processo diplomático", afirmou em comunicado o Ministério israelense de Relações Exteriores, em alusão à proposta feita pelos EUA, Rússia, União Europeia e ONU para retomar as negociações de paz.

Para Israel, as ações palestinas representam uma "resposta negativa" aos "esforços de Israel e da comunidade internacional" de promover um processo de paz. "A Unesco, que manteve silêncio frente às mudanças significativas no Oriente Médio, encontrou tempo durante sua reunião atual para adotar seis decisões sobre o conflito entre Israel e palestinos", completa o ministério.

Apoio

Mahmud Abbas chegou nesta quarta-feira a Estrasburgo, na França, onde se reunirá na quinta-feira com parlamentares do Conselho da Europa e buscará apoio para a adesão À ONU de um Estado palestino.

Abbas, que chegou pouco depois das 11h30, horário de Brasília, vindo de Amã, é acompanhado em Estrasburgo por seu chefe da diplomacia, Riyad al-Malki, e pelo negociador chefe palestino Saeb Erakat. Nessa tarde, Abbas se reuniu com a chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton.

O presidente palestino pronunciará um discurso na quinta-feira ao meio-dia (7h, horário de Brasília) na Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa (APCE), composta por representantes dos 47 Estados membros da organização, e depois participará de uma coletiva de imprensa ao lado do presidente da APCE, o turco Mevlüt Cavusoglu.

Na sexta, ele inicia sua agenda oficial na América Latina, com uma visita à República Dominicana, onde fará um discurso ao Parlamento local. Convidado pelo presidente dominicano, Leonel Fernández, um dos líderes latino-americanos que mais defendeu nos últimos anos o direito dos palestinos a um Estado próprio, Abbas também incluiu no roteiro da viagem Honduras - onde vive a maior comunidade palestina da América Central - e Nicarágua.

Até agora apenas cinco países - Brasil, Argentina, Venezuela, Chile e México - têm embaixadas em Ramallah, e espera-se que em breve o Peru abra a sua, e que a Colômbia estabeleça algum tipo de representação.

Em Bogotá, onde chegará no dia 11 para se reunir com o presidente colombiano, Juan Manuel Santos, Abbas terá o ponto alto de sua viagem, já que como membro não-permanente do Conselho de Segurança da ONU, a Colômbia é importante para o pedido de admissão apresentado pelos palestinos em 23 de setembro.

Com AFP, AP e EFE

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