Por Adam Entous JERUSALÉM (Reuters) - Os Estados Unidos querem que Israel imponha uma moratória sobre os novos contratos de construção nos assentamentos judeus na Cisjordânia, mas também estudam permitir a continuidade de alguns projetos em andamento, disseram autoridades ocidentais e israelenses nesta quarta-feira.

O pedido público do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, para que Israel interrompa a colonização na Cisjordânia ocupada abriu um atípico racha entre os dois aliados.

Mas ambos os lados dizem que querem trabalhar para resolver suas divergências.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, se encontrará com o enviado de Obama para o Oriente Médio, George Mitchell, na semana que vem na Europa. A ideia é tentar alcançar um acordo, disseram membros do governo de Israel.

"Essa é nossa meta, mas ainda não estamos lá", disse um experiente funcionário israelense.

Mitchell afirmou que um elemento-chave será tentar determinar exatamente o que Israel quer dizer com o "crescimento natural" dos assentamentos que Netanyahu diz que irá defender. Netanyahu afirma querer que as famílias em crescimento sejam capazes de acomodar seus filhos em cidades construídas por Israel em território ocupado.

Ainda que os Estados Unidos se mantenham convictos quanto à proibição de novos contratos como parte de um congelamento geral das colônias, autoridades de governos do Ocidente e de Israel afirmam que o governo Obama avalia em quais casos a continuação das obras será permitida.

As fontes, falando em condição de anonimato, disseram que as permissões poderiam ser concedidas se, por exemplo, um projeto esteja próximo da conclusão, ou para casos em que tenha havido um investimento que não possa ser reembolsado.

"Há espaço para alguma flexibilização quando se define o que é aceitável em termos de um congelamento das colônias. Onde nós vamos desenhar a linha?", disse uma fonte sobre o diálogo dentro do governo Obama.

Após um encontro em Washington, a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, e o ministro do Exterior de Israel, Avigdor Lieberman, mantiveram suas respectivas posições. Hillary pediu a interrupção dos assentamentos, e Lieberman disse que Israel não pode aceitar um congelamento das obras.

Mas Hillary Clinton falou que as discussões estão apenas começando.

"Há uma série de preocupações críticas, muitas das quais se sobrepõem quanto ao impacto e à significância, que serão exploradas nas próximas semanas em meio ao engajamento mais profundo do senador Mitchell dentro de detalhes sobre até onde os israelenses e os palestinos pretendem ir juntos".

Mitchell viaja para Paris em 25 de junho e se encontrará com Netanyahu, disse um porta-voz do Departamento de Estado.

(Reportagem adicional de Deborah Charles em Washington)

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