EUA e Israel assinam acordo que prepara caminho para cessar-fogo em Gaza

WASHINGTON - A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, e a ministra de Exteriores israelense, Tzipi Livni, assinaram nesta sexta-feira um memorando de entendimento no qual os Estados Unidos oferecem garantias a Israel para que possa aceitar um cessar-fogo na Faixa de Gaza. Horas depois, uma fonte israelense afirmou que o Gabinete de Segurança do país, formado por 12 membros, irá votar a proposta egípcia de trégua na noite deste sábado.

Redação com agências internacionais |


O oficial israelense, que não quis se identificar, disse que, se aprovado, o cessar-fogo seria unilateral e não um acordo com o Hamas. Assim, Israel deixará de bombardear Gaza para observar a reação do movimento palestino. Caso o Hamas não deixe de lançar foguetes, as Forças Armadas do país retomarão os ataques.

O acordo assinado por Livni e Rice foi considerado um passo importante na preparação do caminho para um cessar-fogo. O documento reúne o compromisso dos EUA de oferecer recursos, meios, assistência técnica e informação para prevenir o contrabando de armas do Egito para Gaza, e impedir que o movimento islâmico Hamas se rearme, uma exigência do governo israelense para poder aceitar um cessar-fogo.

Em coletiva de imprensa, Livni descreveu o acordo como "um complemento vital para o fim das hostilidades" na região, e disse que o objetivo do texto é "complementar as ações egípcias e acabar com a entrada de armas em Gaza".

Segundo a proposta egípcia de cessar-fogo, os conflitos acabariam imediatamente, por dez dias, mas as forças israelenses continuariam em Gaza e as fronteiras do território permaneceriam fechadas até que procedimentos de segurança fossem realizados. O objetivo dessa medida seria impedir o rearmamento do Hamas.

Rice afirmou que tanto o presidente eleito, Barack Obama, como a sua indicada para o cargo de secretária de Defesa, Hillary Clinton, foram consultados sobre os detalhes do documento assinado por ela e Livni. Ambas disseram esperar que países europeus desenvolvam acordos semelhantes com Israel.

Sem acordo

Também nesta sexta-feira, o principal negociador israelense, Amos Gilad, deixou  o Cairo após discussões sobre o plano egípcio para um cessar-fogo em Gaza, sem conseguir acordo formal para uma trégua, indicou uma fonte diplomática próxima às negociações.

Gilad, conselheiro do ministro da Defesa, Ehud Barak, se reuniu duas vezes nas últimas 48 horas com o chefe dos serviços secretos egípcios, Omar Suleiman, homem chave nos contatos indiretos entre Israel e Hamas.

O Egito, por sua vez, convidou o Hamas a voltar ao Cairo para novas discussões sobre o plano egípcio, depois de receber a resposta israelense às propostas do movimento radical palestino.

Nesta sexta-feira, Khaled Meshaal, liderança do Hamas, disse que o grupo islâmico palestino não vai aceitar as condições de Israel para um cessar-fogo e vai manter a resistência armada até o fim da ofensiva.


Meshaal, ao centro, afirmou que o Hamas não aceitará condições de Israel / AP

"Apesar de toda a destruição em Gaza, não aceitamos as condições de Israel para um cessar-fogo, já que a resistência em Gaza não foi derrotada", declarou Meshaal.

Meshaal, que falou durante a abertura de uma reunião de emergência sobre Gaza realizada em Doha (Catar), pediu aos líderes presentes que cortem relações com o Estado israelense.

Suposta trégua de um ano

Durante as negociações de paz no Egito, o movimento islâmico palestino Hamas teria aceitado uma trégua nas hostilidades a partir de amanhã na Faixa de Gaza, que poderia se transformar em um cessar-fogo de um ano, informou hoje o jornal saudita internacional "Asharq al-Awsat" , que não cita nenhuma fonte.

Segundo o jornal, o Hamas e as autoridades egípcias - o Egito está intermediando separadamente entre o grupo palestino e Israel - definiram um plano de cinco pontos para colocar fim ao conflito em Gaza, que já dura três semanas.

O cessar-fogo teria duração de um ano e seria examinado antes de terminar. A informação do jornal não foi confirmada ou desmentida por nenhuma fonte egípcia ou palestina. O jornal israelense Haaretz afirma que autoridades de Israel enxergam a proposta " com reservas ".

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