EUA e Israel assinam acordo contra tráfico de armas para Gaza

A ministra das Relações Exteriores de Israel, Tzipi Livni, e a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, assinaram nesta sexta-feira um acordo que prevê a adoção de uma série de medidas para garantir o fim do contrabando de armas na fronteira da Faixa de Gaza com o Egito. O objetivo da iniciativa dos dois países é evitar que o grupo militante palestino Hamas volte a se armar no caso de um cessar-fogo na região.

BBC Brasil |

    O memorando de entendimento, assinado em Washington no último dia de Rice no cargo, determina medidas de cooperação em inteligência e logística entre os dois países para cortar o envio de armas para Gaza.

    O documento, que ainda não teve todos os seus detalhes revelados, também enfatiza a necessidade de medidas de cooperação internacional e regional para evitar que armas também cheguem a Gaza por via marítima.

    O fim do contrabando de armas em Gaza é uma das maiores demandas de Israel para colocar um fim na ofensiva na região, que já dura 20 dias.

    "Para que um cessar-fogo em Gaza seja factível, deve haver um fim no contrabando de armas", disse a ministra israelense na cerimônia de assinatura. "É por isso que o memorando de entendimento assinado hoje é tão importante, pois é um componente vital para o fim das hostilidades."
    "Mesmo depois que a ofensiva terminar, nós nos reservamos o direito de nos defendermos contra atividades terroristas em Gaza, incluindo o contrabando de armas", acrescentou Livni. "Isso agora pode ser prevenido pela comunidade internacional pelos termos deste memorando."

    Sofrimento

    A secretária de Estado americana afirmou que os Estados Unidos estão procurando "colocar um fim no sofrimento dos palestinos atingidos pelos conflitos entre o Hamas e Israel".

    "Os Estados Unidos continuam profundamente preocupados com os palestinos inocentes que estão sofrendo em Gaza", disse Rice. "Um fim sustentável das hostilidades - no lugar de um que entre em colapso em poucos dias ou semanas - é crucial para acabar com este sofrimento."
    "Os Estados Unidos estão fazendo o possível para responder às necessidades da população de Gaza", completou a secretária de Estado.

    De acordo com a correspondente da BBC em Washington, Kim Ghattas, o memorando assinado nesta sexta-feira pode ser o complemento de um eventual acordo de cessar-fogo entre Israel e o Hamas.

    Ainda segundo Ghattas, Rice teria consultado o presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, e a futura secretária de Estado, Hillary Clinton, antes de assinar o memorando.

    Ato final

    Em esforços diplomáticos paralelos, diplomatas israelenses continuam no Cairo negociando a possibilidade de um cessar-fogo na região sob a mediação do Egito.

    O porta-voz do governo israelense, Mark Regev, afirmou à BBC que Israel espera um fim breve da violência na região.

    "A diplomacia está agora em marcha acelerada. Espero que estejamos entrando no ato final (da ofensiva)", disse Regev. "Esperamos que isso termine o mais rápido possível."
    "No minuto em que nos assegurarmos que a solução não será apenas um curativo, no minuto em que entendermos que a situação será de uma paz sustentável, então faremos isso (o cessar-fogo)", afirmou o porta-voz.

    A rede de televisão Al-Jazeera informou que uma delegação do Hamas foi convidada a voltar ao Cairo para mais negociações com os mediadores egípcios, o que deve acontecer neste sábado.

    Mesmo assim, o líder do Hamas, Khaled Meshaal, afirmou em uma conferência da Liga Árabe no Catar que o movimento exige que a ofensiva israelense termine antes que o Hamas interrompa o lançamento de foguetes contra o país.

    Apelo

    Nesta sexta-feira, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, pediu que Israel declare um cessar-fogo unilateral na Faixa de Gaza.

    Ban fez o apelo logo após se reunir com o primeiro-ministro da Autoridade Palestina, Salam Fayyad, em Ramallah, na Cisjordânia.

    Israel, no entanto, rejeitou a proposta e insiste que um cessar-fogo nos conflitos deve ser "durável e sustentável".

    Em meio aos esforços diplomáticos para resolver a crise na região, novos conflitos foram registrados em Gaza nesta sexta-feira.

    Há informações de que os bombardeios israelenses teriam continuado mesmo durante a trégua diária para a distribuição de auxílio humanitário.

    Dez foguetes palestinos também teriam sido lançados contra Israel nesta sexta-feira, mas nenhuma pessoa teria ficado ferida, segundo militares israelenses.

    Durante a noite, aviões israelenses realizaram 40 ataques na Faixa de Gaza.

    No território palestino da Cisjordânia, um adolescente teria sido morto em um choque entre soldados israelenses e manifestantes na cidade de Hebron.

    Protestos

    O Exército de Israel fechou todos os acessos à Cisjordânia até às 24h de sábado (hora local, 20h em Brasília), depois que membros do Hamas fizeram um apelo para que todos os palestinos aderissem ao que chamaram de "Dia da Ira".

    O grupo pediu que a população realizasse protestos anti-Israel em suas orações desta sexta-feira.

    Fontes dos serviços de saúde palestinos dizem que pelo menos 1.105 pessoas morreram e 5,1 mil ficaram feridas desde o início da ofensiva, em 27 de dezembro.

    Do lado israelense, 13 pessoas morreram, sendo três delas civis, segundo o Exército do país.

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