EUA e Iraque ficam perto de acordo para retirar tropas até 2011

As tropas americanas terão de se retirar do Iraque até o final de 2011, em virtude de um acordo de segurança negociado com os Estados Unidos, mas que ainda deve ser examinado pela presidência iraquiana, anunciou o chefe dos negociadores do país invadido, nesta sexta-feira.

AFP |

"No final de 2011, as tropas americanas vão se retirar do Iraque", disse à AFP Mohammed al Haj Hammud, acrescentando que as negociações sobre os 27 artigos do pacto de segurança entre Iraque e Estados Unidos terminaram.

O acordo já foi aprovado pelo presidente dos EUA, George W. Bush, completou.

Já o porta-voz do Conselho de Segurança Nacional, Gordon Johndroe, declarou que o acordo ainda deve ser finalizado. "Ainda há discussões em marcha", frisou.

As conversas sobre o fim da ocupação americana "só são possíveis, graças às melhorias em segurança desde que o presidente ordenou que cinco brigadas adicionais e marines viajassem para o Iraque, em janeiro passado", apontou Johndroe.

O negociador iraquiano ressaltou, por sua vez, que "existe uma cláusula que estipula que a retirada pode acontecer antes de 2011 e que a presença também pode ser prolongada até depois de 2011, em função da situação. As duas partes estão de acordo sobre isso".

As negociações sobre o final da presença militar americana no Iraque, desde 2003, começaram em fevereiro e deveriam acabar no final de julho. A complexidade das questões e as importantes divergências, em especial sobre o calendário de retirada, atrasaram o pacto.

Depois de 2011, ou seja, passados oito anos da invasão pelas forças da coalizão, ficará no Iraque "um certo número de tropas, como apoio, ou para treinar as forças iraquianas", explicou Hammud.

"O número de bases militares americanas dependerá dos efetivos e de suas necessidades", comentou.

Ontem, uma autoridade militar americana havia explicado que os Estados Unidos poderiam, segundo o projeto de acordo, começar a retirar suas tropas das cidades iraquianas a partir de junho de 2009, "se as condições permitirem".

"As tropas de combate vão se retirar das cidades iraquianas em junho de 2009", insistiu Hammud, nesta sexta.

Os iraquianos consideram uma vitória o fato de terem obtido o calendário de retirada que foi, por tanto tempo, negado pelos EUA.

Outro ponto sensível, sobre o qual os iraquianos se mostraram insistentes, diz respeito ao fim da imunidade para os funcionários das companhias privadas de segurança que trabalham com as forças da coalizão.

"Nas negociações sobre o futuro estatuto das tropas americanas no Iraque (Sofa), o governo iraquiano não aceitou qualquer imunidade para as companhias de segurança privadas", disse esta semana o porta-voz do governo iraquiano Ali al Dabbagh.

Em relação à imunidade dos soldados americanos, Hammud respondeu que estão previstos "vários comitês para examinar os problemas relativos à violação da lei iraquiana pelas tropas dos Estados Unidos".

Agora, o texto deve ser discutido pelo Conselho Executivo, uma instância que reúne o Conselho presidencial (o presidente curdo, Jalal Talabani, e os dois vice-presidentes xiita e sunita), o primeiro-ministro Nuri al-Maliki e o presidente da região autônoma curda, Massud Barzani.

O projeto de lei deverá, então, ser votado pelo Parlamento e, depois, aprovado pelo Conselho presidencial.

Os mais hostis a esse pacto são aqueles ligados ao chefe radical xiita Moqtada al-Sadr, que rejeitam o acordo por inteiro e reivindicam a saída, pura e simples, dos 142.000 soldados americanos estacionados no território.

Em dezembro de 2007, o Conselho de Segurança da ONU decidiu prolongar, "pela última vez", o mandato da força internacional, até 31 de dezembro de 2008.

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