EUA e Iraque acreditam em acordo rápido sobre tropas americanas

Amer Hameed Bagdá, 21 ago (EFE).- Estados Unidos e Iraque se mostraram hoje confiantes de que serão concluídas brevemente e com sucesso as negociações iniciadas há cinco meses que buscam uma definição sobre a presença das tropas americanas em território iraquiano a partir de 2009.

EFE |

Hoje, a Casa Branca disse que deseja chegar "o mais rápido possível" a um acordo com o Iraque sobre o assunto.

"Todos gostariam muito encerrar as negociações o mais rápido possível, mas o mais importante é fazer isso bem", explicou Gordon Johndroe, um porta-voz da Casa Branca, em coletiva de imprensa no rancho de Crawford, no Texas, onde está o presidente George W. Bush.

"Quando finalmente o obtivermos, será um excelente acordo", afirmou a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, em coletiva de imprensa em Bagdá, onde chegou de surpresa hoje.

O mandato atual da coalizão militar internacional no Iraque, liderada pelos EUA, foi fixado pelo Conselho de Segurança da ONU e expira no final do ano. Além dessa data, as tropas necessitam de um marco legal que defina seu papel e seu tamanho.

Inicialmente, os dois Governos tinham fixado a data de fins de julho para fechar o acordo sobre segurança, mas o prazo terminou sem que esse pacto fosse alcançado e, segundo fontes oficiais, os esforços estão sendo redobrados para consegui-lo o mais rápido possível.

"Este convênio é a versão mais avançada de qualquer outro acordo estratégico que os EUA definiram com qualquer outro país do mundo", afirmou o chanceler iraquiano, Hoshiar Zebari, em coletiva de imprensa compartilhada com Rice.

Rodeados pelas bandeiras dos dois países, Rice e Zebari não quiseram dar detalhes sobre os temas mais sensíveis do convênio, e só ressaltaram sua confiança em que as negociações terminarão com sucesso.

Os dois assuntos mais sensíveis se referem ao calendário da retirada gradual das tropas estrangeiras do Iraque e ao tipo de imunidade que terão os soldados americanos que sigam no Iraque a partir de 2009.

Os EUA sempre se mostraram contra o julgamento de seus soldados que estão em qualquer outro país perante os tribunais locais, um tema delicado para Washington, que enfrenta o direito soberano do Iraque.

Os chefes da diplomacia dos dois países não deram novas pistas sobre as datas que estão sendo negociadas nas conversas entre as duas partes.

"Este acordo determina as condições principais requeridas para a presença temporária das tropas americanas", disse Zebari.

"Isto é um sinal de confiança no esquema do aparato militar e de segurança do Iraque, que está tomando cada vez mais responsabilidades", acrescentou.

Há versões distintas sobre as datas que as duas partes manejam para a retirada das tropas de combate americanas. Enquanto fontes oficiais iraquianas falam em datas determinadas, os EUA preferem manter silêncio.

Em recentes declarações, o vice-ministro de Exteriores do Iraque, Mohammed Hamoud Bidan, disse que o acordo insistirá na necessidade de as tropas americanas se retirarem das cidades iraquianas em 30 de junho de 2009.

No entanto, segundo Zebari, "como o acordo não está terminado, não podem haver datas".

Rice manteve a mesma linha. "Sempre dissemos que o papel, a missão e o tamanho das tropas da coalizão devem estar baseados nas condições do terreno e do que se necessita", disse.

Ele também lembrou que a segurança de algumas áreas do país agora está a cargo apenas de soldados iraquianos e destacou os resultados do reforço, a partir do ano passado, dos soldados americanos que se encontram no Iraque.

"As tropas iraquianas demonstraram que estão sendo cada vez mais fortes", assinalou Rice.

Os dois representantes não disseram quando calculam que as negociações serão concluídas, mas, segundo Rice, o final "está perto".

Em entrevista publicada hoje pelo jornal "The New York Times", o comandante das forças dos EUA no Iraque, David Petraeus, disse que a segurança nesse país é ainda "débil" e que por isso a presença dos soldados americanos é importante.

"Houve avanços muito substanciais até este momento. Mas, isso não significa que achamos que está terminado", declarou Petraeus, que no próximo mês abandonará seu posto para assumir o comando de todas as forças americanas no Oriente Médio e Afeganistão.

"Ainda não é duradoura. Não é sustentável por si própria", afirmou Petraeus, em referência à melhora da segurança no Iraque.

O general assumiu o controle do contingente americano em fevereiro de 2007, em uma situação "bastante grave", como ele mesmo descreveu.

Petraeus, no entanto, não quis dizer se acha que os EUA deveriam reduzir seu nível de tropas no Iraque.

O convênio ainda tem que passar pela discussão política das autoridades das duas partes e pelos sinais de oposição que já começaram a surgir.

Entre os que se opõem está a Comissão de Ulemás Muçulmanos e do bloco de milicianos do clérigo radical xiita Moqtada al-Sadr, um dos principais contestadores da presença das tropas americanas no Iraque.

Os seguidores de Sadr organizaram manifestações a cada sexta-feira para condenar um acordo que pode garantir a presença militar americana a partir do ano que vem. EFE ah/ab/rr

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