EUA e Índia assinam acordo civil de cooperação nuclear

Por Arshad Mohammed WASHINGTON (Reuters) - Os Estados Unidos e a Índia assinaram na sexta-feira um acordo que permitirá a Nova Délhi adquirir tecnologia nuclear civil norte-americana pela primeira vez em três décadas.

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Os EUA haviam proibido o comércio nuclear com a Índia depois que esse país testou uma arma nuclear pela primeira vez, em 1974. Agora, o novo acordo permite que Nova Délhi obtenha reatores, combustível e tecnologia para gerar energia nuclear para seu 1,1 bilhão de habitantes.

O acordo pode resultar em investimentos de cerca de 27 bilhões de dólares em 18 a 20 usinas nucleares indianas nos próximos 15 anos, segundo a Confederação Indiana da Indústria. Empresas de EUA, França, Rússia e outros países devem disputar licitações nesse campo.

O acordo, negociado durante anos e criticado por militantes da não-proliferação nuclear, foi assinado pela secretária norte-americana de Estado, Condoleezza Rice, e pelo ministro indiano de Assuntos Exteriores, Pranab Mukherjee.

O governo Bush afirma que o acordo garantirá uma parceria estratégica com a maior democracia do mundo, ajudará a Índia a atender à sua demanda energética de forma ambientalmente eficaz e abrirá um mercado nuclear de bilhões de dólares.

Em cerimônia no Departamento de Estado, Rice disse que o acordo "demonstra um vasto potencial de parceria entre Índia e Estados Unidos -- potencial que, francamente, não foi preenchido durante muitas décadas de desconfiança."

Ela lembrou que o acordo enfrentou resistências nos dois países. "O primeiro-ministro Singh literalmente arriscou seu futuro político por este acordo, e então refez seu governo para obter o acordo de que necessitava", disse ela.

Em julho, o Partido Comunista indiano retirou seu apoio ao governo por causa do tratado, que qualificou como uma "rendição" a Washington.

Críticos dizem que o tratado estabelece um precedente para que um país tenha acesso à compra de tecnologia nuclear civil sem se submeter às salvaguardas internacionais contra a proliferação de armas nucleares -- justamente num momento em que os EUA tentam garantir que Irã e Coréia do Norte não desenvolvam programas nucleares.

Daryl Kimball, diretor-executivo da Associação do Controle de Armas e adversário do tratado, contestou a afirmação do governo Bush de que o acordo ajudará no regime de não-proliferação, porque colocará a maioria dos reatores indianos sob inspeção internacional.

Ele lembrou que a Índia continua não fazendo parte do Tratado de Não-Proliferação Nuclear, e disse que na verdade o tratado vai "indiretamente ajudar no esforço de produção de bombas da Índia e vai dificultar a redução dos perigos nucleares no sul da Ásia".

"Este é um desastre para a não-proliferação, que terá efeitos negativos nos próximos anos, porque a Índia está recebendo os benefícios do comércio nuclear civil sem preencher as obrigações esperadas de virtualmente todos os outros países do mundo."

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