EUA e França pedem novas sanções contra Irã

Paris, 8 fev (EFE).- Os Estados Unidos e a França consideram que a última posição iraniana sobre o polêmico programa nuclear marca o fracasso das negociações e exige agora seguir o caminho das sanções econômicas e diplomáticas, para o qual buscarão consenso da comunidade internacional.

EFE |

O secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, e o ministro da França, Hervé Morin, concordaram que o anúncio feito no domingo pelo Irã de que vai enriquecer urânio a 20% ignora todas as ofertas de diálogo feitas ao país pela comunidade internacional.

"O Irã rechaçou tudo", lamentou Gates em uma entrevista conjunta à imprensa com Morin, que ressaltou a "total convergência" de posições sobre a análise da situação e os passos que são necessários.

"Toda a comunidade internacional tentou estabelecer condições de diálogo durante meses" com o regime iraniano, mas "não se conseguiu nada", explicou o titular francês de Defesa, que disse ter "a certeza e a convicção" de que os programas nucleares iranianos "têm um alvo militar".

Por isso, Morin considerou que "infelizmente será necessário um diálogo internacional que levará a novas sanções", já que não há alternativa a "trabalhar com novas medidas" contra o Irã no Conselho de Segurança das Nações Unidas.

"Temos que encontrar uma forma pacífica de resolver esta questão", o que exige que toda a comunidade internacional se una para pressionar Teerã, afirmou Gates.

Questionado sobre se tem garantias de que Israel não atacará militarmente o Irã, o secretário respondeu que "todos estão interessados que a questão se resolva sem chegar a um conflito".

No entanto, Gates ressaltou que "é preciso enfrentar a realidade" e se o Irã chegar a ter armas nucleares, haverá uma escalada de proliferação no Oriente Médio e "este é um grande perigo".

Diante dessa perspectiva, insistiu na intenção de utilizar "os canais econômicos e diplomáticos".

Gates, que esta tarde se reuniu com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, e com o ministro de Exteriores francês, Bernard Kouchner, enfatizou que "a comunidade internacional ofereceu diversas oportunidades ao Irã" para demonstrar que o urânio enriquecido era necessário para seu reator de pesquisa, e não para fins militares.

Se for considerado o fim da via diplomática, o secretário americano lembrou que o "grupo dos seis" (EUA, Reino Unido, França, Rússia, China e Alemanha) já tinha estabelecido que "o próximo passo seria a pressão da comunidade internacional".

Sobre isso, Kouchner mostrou dúvidas sobre a possibilidade de que se possa votar uma resolução no Conselho de Segurança durante sua Presidência neste mês, em particular pelas reservas da China.

"Ainda não convencemos os chineses", explicou o ministro de Exteriores francês. Ele acrescentou que "os russos vão votar", mas não se sabe quando estarão dispostos a isso, sobretudo levando em conta que a resolução não foi apresentada nem escrita.

"Há uma lista de sanções americanas, uma lista de sanções europeias: é preciso comparar a eficácia, saber o que se quer", argumentou Kouchner, antes de se pronunciar contra "sanções que ameaçariam ao povo iraniano".

O chanceler francês acusou as autoridades iranianas de má fé com sua decisão de enriquecer urânio a 20% por conta própria, em vez de fazê-lo no exterior, como havia sido proposto pela comunidade internacional.

"Enriquecer a 20% para quê?", se perguntou retoricamente Kouchner, antes de dizer que os iranianos "não sabem fabricar combustível" para sua central de pesquisa e que, portanto, a única razão para recorrer às centrífugas é adquirir capacidade para no futuro conseguir a bomba atômica.

"Enriquecer urânio vai contra todas as resoluções do Conselho de Segurança" e só se explica como um pretexto para "ganhar tempo", concluiu o ministro francês. EFE ac/sa

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