Os Estados Unidos e a França acusaram a Rússia de não respeitar os termos de seu acordo de cessar-fogo com a Geórgia, ao criar zonas de segurança e postos de controle. O assunto foi discutido por telefone nesta sexta-feira pelo presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, e o presidente francês, Nicolas Sarkozy, de acordo com o porta-foz da Casa Branca, Gordon Johndroe.

    O Ministério da Defesa da Rússia anunciou que completou a retirada de suas forças de combate do território da Geórgia nesta sexta-feira, mas insistiu que centenas de soldados podem permanecer na região, sob o acordo mediado pela França.

    Alguns analistas dizem que os termos do acordo são vagos em relação à extensão de qualquer zona de segurança.

    Um porta-voz do Ministério do Exterior da França, Eric Chevalier, disse que é preciso agora uma resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas para esclarecer exatamente o que o acordo cobre.

    Força de segurança
    Os miitares russos disseram que pretendem manter o que chamam de presença mantenedora da paz na Geórgia, controlando zonas em torno das regiões separatistas da Abecásia e da Ossétia do Sul. Elas incluem trechos da principal estrada da capital da Geórgia, Tbilisi, para o Mar Negro, assim como a base aérea da Geórgia em Senaki.

    O porta-voz francês, Eric Chevalier, disse à BBC que o cessar-fogo estipula que as forças russas "devem voltar à situação de antes do começo das hostilidades".

    "A idéia é que, sim, temporariamente algumas forças de paz russas poderiam permanecer (...) perto da fronteira da Ossétia. Mas é temporário. Deveria ser para patrulhamento e deveria ser até que tenhamos um mecanismo internacional", afirmou.

    "Foi dito claramente que esta presença primeiro tem que ser através de patrulhamento, não fixa e, em segundo lugar, não deve ter um impacto sobre a liberdade de movimento nas estradas e trens neste local."
    Resolução
    O Conselho de Segurança das Nações Unidas ficou dividido esta semana sobre uma resolução, com diferentes esboços submetidos por Moscou, e pelos Estados Unidos e aliados.

    O analista da BBC para assuntos diplomáticos, Jonathan Marcus, disse que diplomatas ocidentais temem que o governo russo esteja determinado a definir os parâmetros dos arranjos provisórios de segurança de acordo com sua própria vontade.

    Parte do problema, diz Marcus, é a forma extraordinariamente vaga do acordo de cessar-fogo mediado pela União Européia (UE, cuja Presidência rotativa é ocupada pela França).

    O acordo fala apenas de "medidas adicionais de segurança" nas "proximidades da Ossétia do Sul" - sendo esta distância definida como "vários quilômetros".

    "Zona de responsabilidade"
    Moscou pretende manter 2,5 mil soldados em zonas de segurança, apoiados por tanques e helicópteros.

    A chamada "zona de responsabilidade" da Rússia também inclui a principal base aérea da Geórgia em Senaki, a 40 quilômetros da fronteira com a Abecásia, que fica perto de uma estrada vital e de ligações ferroviárias com o porto de Poti, no Mar Negro.

    Correspondentes da BBC na região dizem que viram o que parece ser uma movimentação significativa de tropas russas deixando a Geórgia.

    Gabriel Gatehouse, repórter da BBC em Igoeti, a 35 quilômetros da capital georgiana, Tbilisi, disse que viu soldados russos deixando a cidade, unindo-se a uma coluna de centenas de tanques na estrada em direção à Ossétia do Sul.

    Segundo Gatehouse, ônibus com policiais georgianos estão chegando a Igoeti para assumir o controle depois que tropas russas removeram seus bloqueios e se retiraram.

    Mas um outro correspondente na cidade vizinha de Korvaleti disse que veículos da polícia georgiana ainda estão sendo parados em postos de controle.

    A guerra de quatro dias entre Rússia e Geórgia começou depois que Tbilisi tentou retomar a Ossétia do Sul, em uma ofensiva de surpresa, no dia 7 de agosto.

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