EUA e emergentes anunciam acordo preliminar em Copenhague

Os presidentes Barack Obama, dos Estados Unidos, Luiz Inácio Lula da Silva e chefes de governo de África do Sul, Índia e China fecharam nesta sexta-feira, em Copenhague, um acordo preliminar na reunião das Nações Unidas sobre mudança climática. O acordo, que ainda precisa ser aprovado na plenária, foi recebido com críticas por países em desenvolvimento.

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    Obama se reúne com líderes de países em desenvolvimento

    Obama se reúne com líderes de países em desenvolvimento

    Uma reunião de mais de duas horas selou uma posição conjunta entre americanos e os chamados países BASIC (Brasil, África do Sul, Índia e China), defendendo ações para limitar o aumento da temperatura a 2ºC, sem no entanto, prever metas para países desenvolvidos.

    "O que nós fizemos, foi procurar resgatar alguma coisa daqui, desbloquear essa questão do MRV ("mensurável, reportável e verificável", no jargão), que estava bloqueando qualquer entendimento", afirmou o embaixador extraordinário para mudança climática do Itamaraty, Sérgio Serra, acrescentando que Lulateve papel protagonista nas negociações.

    A operação de resgate, no entanto, segundo ambientalistas, acabou revoltando representantes de diversas delegações do bloco dos países em desenvolvimento, o G77.

    "Os eventos de hoje representam o pior acontecimento na história das negociações sobre mudança do clima. O Sudão não vai assinar esse acordo", afirmou o embaixador Lumumba Di-Aping, negociador-chefe sudanês.

    A organização ambientalista Amigos da Terra classificou o documento de "declaração secreta de porta dos fundos".

    "Os Estados Unidos mentiram para o mundo ao chamar aquilo de acordo e mentiram para centenas de países, aos quais tinham dito que ouviriam as suas necessidades", afirmou a porta-voz do grupo, Kate Horner.

    Plenária
    Após selar o "acordo", Lula, Obama e outros líderes embarcaram de volta aos seus países, deixando o documento para se aprovado na plenária da conferência climática.

    Horas depois, uma entrevista gravada antes do embarque de Obama de volta aos Estados Unidos foi transmitida no Bella Center, onde acontece a reunião.

    "Pela primeira vez na história, todas as grandes economias se juntaram para aceitar as suas responsabilidades e agir para combater a ameaça da mudança climática", afirmou Obama.

    De acordo com o embaixador Sérgio Serra, o encontro em que o acordo foi fechado foi convocado pelo primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao.

    Monitoramento
    Também ficou acertada uma nova formulação para as exigências de formas de monitoramento internacional às ações de redução de emissão dos gases do efeito estufa. Nas palavras de Serra, este era o assunto o mais "contencioso".

    Para superá-lo, foi encontrado um meio termo entre a formulação proposta que substitui o jargão MRV, com a forma "consultas internacionais e análises"

    Mesmo o embaixador Sergio Serra, que participou da negociação do acordo com os EUA, admitiu frustração.

    "Estou decepcionado. Estou muito decepcionado", disse o diplomata, afirmando que ao longo dos últimos anos vários países apresentaram números de redução, "mas nunca os colocaram na mesa".

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