EUA e Cuba dialogam sobre novo projeto de emigração

Havana, 19 fev (EFE).- Diplomatas de alto nível dos Estados Unidos e de Cuba estudaram hoje em Havana parte de um projeto de novo acordo migratório que a ilha apresentou na rodada de diálogo anterior, realizada em julho do ano passado em Nova York, informou um comunicado cubano.

EFE |

"A reunião ocorreu em um clima de respeito. As duas delegações avaliaram o comportamento dos acordos migratórios vigentes entre os dois países. Também discutiram aspectos contidos no novo projeto de acordo migratório apresentado por Cuba", diz a nota oficial.

Segundo o Governo cubano, seu projeto procura "garantir uma emigração legal, segura e ordenada entre os dois países e cooperar de forma mais efetiva no combate ao tráfico ilegal de pessoas".

O ministro de Exteriores cubano, Bruno Rodríguez, declarou em janeiro passado, ao confirmar a reunião de Havana, que Washington ainda não tinha respondido ao projeto.

Cuba reiterou hoje que "não poderá ser garantida uma emigração legal, segura e ordenada, como estabelecem os acordos migratórios enquanto os EUA continuem aplicando a Lei de Ajuste Cubano".

Essas normas "constituem o principal estímulo às saídas ilegais e o tráfico de pessoas, ao oferecer um tratamento preferencial aos cubanos que entram ilegalmente em território americano, sem considerar os meios utilizados", reiterou Havana.

O vice-ministro de Exteriores Dagoberto Rodríguez, chefe da delegação cubana, "ratificou o compromisso inequívoco de Cuba com o cumprimento dos acordos migratórios vigentes". Além disso, ele acrescentou que a reunião de hoje "reafirmou a importância e utilidade deste mecanismo", segundo a nota oficial.

A delegação americana foi liderada pelo subsecretário de Estado adjunto para Assuntos do Hemisfério Ocidental, Craig Kelly, o funcionário de maior nível que visitou a ilha desde a chegada do presidente Barack Obama à Casa Branca.

A reunião, que inicialmente tinha sido anunciada para dezembro passado, ocorreu a portas fechadas, em um lugar não revelado e sem acesso à imprensa.

O diálogo sobre migração permaneceu interrompido desde 2003, suspenso pelo então presidente americano, George W. Bush, e foi reaberto no ano passado por iniciativa de Obama.

Os dois países assinaram há uma década e meia um primeiro acordo migratório, pelo qual os Estados Unidos emitiam anualmente 20 mil vistos a cubanos e o Governo da ilha recebia, sem represálias, quem tentava emigrar ilegalmente e era interceptado pela guarda-costeira americana.

Mas nos últimos anos ambas as partes, que não têm relações diplomáticas plenas há meio século, se acusaram mutuamente de descumprir esses compromissos. EFE am/sa

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