EUA e Cuba acertam retomada de diálogo sobre imigração

Nova York, 14 jul (EFE).- O Governo de Cuba aceitou se reunir novamente com representantes dos Estados Unidos para rever os acordos migratórios entre os dois países.

EFE |

Após a primeira reunião entre as partes realizada desde 2003 para debater o tema, o vice-ministro das Relações Exteriores de Cuba e líder da delegação cubana, Dagoberto Rodríguez, propôs que uma nova rodada de contatos aconteça em dezembro, em Havana.

O diplomata também ratificou a intenção de Cuba de continuar negociando soluções para assuntos pendentes e fortalecer a cooperação na área migratória.

O encontro desta terça-feira, ocorrido em Nova York, foi classificado pelas partes como bastante "frutífero".

"Os Estados Unidos veem esta conversa como uma maneira de obter resultados práticos e positivos que contribuam para a plena implementação dos acordos" em matéria migratória, diz uma nota do Departamento de Estado americano divulgada ao término da reunião.

"Tivemos uma sessão de trabalho frutífera que valida a utilidade destas rodadas (de contatos) para avaliar o andamento dos acordos migratórios. Cuba cumpre rigorosamente seu compromisso com o texto e o espírito dos acordos migratórios", afirmou Rodríguez num comunicado aos jornalistas.

Em setembro de 1994 e em maio de 1995, Washington e Havana assinaram acordos migratórios para frear a imigração clandestina.

Nessas negociações, ficou estipulado que, a cada seis meses, os países se reuniriam para repassar a aplicação e os aspectos dos tratados.

Com base nesses acordos, os EUA permitem, a cada ano, a entrada legal de até 20 mil imigrantes cubanos em seu território.

Na prática, a reunião serviu para "avançar na identificação de áreas" nas quais ambas as partes devem "trabalhar e cooperar para garantir o cumprimento dos acordos já assinados, disse o representante cubano, que revelou ter proposto um novo pacto em matéria migratória.

As conversas entre EUA e Cuba sobre imigração não aconteciam desde 2003, mas só foram oficialmente suspensos no ano seguinte, por ordem do então presidente americano, George W. Bush.

No entanto, desde que chegou à Casa Branca, no começo do ano, o presidente Barack Obama tentou melhorar as relações com Havana. O primeiro sinal de aproximação foi dado em abril, quando os EUA suspenderam as restrições às viagens e remessas a Cuba.

Ao se referir aos contatos de hoje entre os dois países, o vice-chanceler cubano se mostrou "preocupado" com o pleno cumprimento dos acordos migratórios "enquanto nos EUA existir a Lei de Ajuste Cubano".

No mesmo sentido ele se pronunciou a respeito da "política do pé seco-pé molhado", que, segundo disse, "estimula as saídas ilegais e o tráfico de pessoas, ao garantir um tratamento diferenciado aos cubanos que chegam ilegalmente ao território dos EUA".

A reclamação de Rodrígueze diz respeito a lei americana que diz que os imigrantes cubanos ilegais que pisam no solo dos EUA podem permanecer nos Estados Unidos e obter um visto de residência após um ano. Já os que são interceptados no mar, mesmo que a poucos metros da praia, são devolvidos a Cuba.

A delegação americana, liderada pelo subsecretário de Estado adjunto para a América Latina, Craig Kelly, disse que os EUA "EUA reafirmam seu compromisso de promover uma migração segura, ordenada e legal".

A nota acrescenta que, neste primeiro contato, os EUA ressaltaram as "áreas para uma cooperação bem-sucedida em migração" e identificaram "os obstáculos à plena implementação dos acordos" existentes.

As prioridades americanas em matéria migratória incluem, segundo Kelly, "assegurar que o Escritório de Interesses em Havana possa operar de maneira plena e efetiva".

Outras prioridades destacadas pelos EUA na reunião foram, segundo a delegação, "obter acesso às águas profundas dos portos para uma repatriação segura dos imigrantes e garantir que o pessoal consular do Escritório de Interesses em Havana consiga monitorar o bem-estar dos migrantes repatriados". EFE emm/sc

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