EUA e Coreia do Sul coordenam posturas após pedido de ajuda norte-coreano

Coreia do Norte solicitou recentemente aos EUA que enviem alimentos ao país

iG São Paulo |

O enviado especial dos Estados Unidos sobre direitos humanos na Coreia do Norte, Robert King, reuniu-se nesta terça-feira com autoridades sul-coreanas para coordenar posturas diante da solicitação de ajuda alimentícia da Coreia do Norte, informou a agência local "Yonhap".

King se reuniu com o representante nuclear sul-coreano para a Coreia do Norte, Wi Sung-lac, e o vice-ministro das Relações Exteriores sul-coreano, Cho Hyun, embora tenha se recusado a dar detalhes sobre a possibilidade de retomar a ajuda humanitária de alimentos à Coreia do Norte.

O regime norte-coreano solicitou recentemente aos EUA que enviem alimentos, mas Washington respondeu que não tem planos imediatos de facilitar ajuda à empobrecida nação comunista.

King aterrissou no domingo em Seul para se reunir com autoridades sul-coreanas, refugiados da Coreia do Norte e ativistas e informar-se sobre os direitos humanos no regime de Kim Jong-il.

A Coreia do Sul se opõe à retomada da ajuda à Coreia do Norte porque minaria os esforços internacionais para pressionar Pyongyang a abandonar seu programa nuclear e se responsabilizar pelo afundamento da embarcação sul-coreana "Cheonan" , em março de 2010, e pelos quatro sul-coreanos mortos na ilha de Yeonpyeong , em novembro, em um ataque norte-coreano à ilha.

Encontro entre as Coreias

As Coreias do Norte e do Sul estabeleceram nesta terça-feira um diálogo pela primeira vez desde o bombardeio de 23 de novembro contra a ilha sul-coreana de Yeonpyeong, em meio a sinais de distensão que podem levar à retomada das negociações de desarmamento nuclear do Norte.

Ao final do encontro, os coronéis sul-coreano Moon Sang-gyun e norte-coreano Ri San-kwon, dois veteranos desse tipo de negociação, decidiram manter um novo encontro na quarta-feira às 10 horas locais (23h desta terça-feira em Brasília) na zona fronteiriça de Panmunjom, informou a agência local "Yonhap".

O objetivo dos dois dias de encontro é fixar a agenda, lugar e data de uma reunião de Defesa de maior nível a fim de tratar assuntos pendentes e melhorar as más relações entre Seul e Pyongyang.

"Ambas partes tentam recortar diferenças sobre a agenda e os procedimentos para conversas militares do mais alto nível, tais como o nível dos representantes e a data", informou o porta-voz do Ministério sul-coreano de Defesa, Kim Min-seok. A reunião de mais alto nível poderia ser protagonizada pelos ministros da Defesa das duas Coreias, algo que não ocorre desde 2007.

O Ministério da Defesa sul-coreano reiterou que a reunião de ministros não seria possível se a Coreia do Norte não se desculpar e se responsabilizar pelo ataque com quatro mortos à ilha sul-coreana de Yeonpyeong e do afundamento, em março de 2010, da embarcação militar sul-coreana "Cheonan" , quando morreram 46 tripulantes.

Os dois incidentes na zona fronteiriça do Mar Amarelo (Mar Ocidental) elevaram a tensão entre as duas Coreias e deterioraram as relações entre Seul e Pyongyang, além de causar uma paralisação brusca na ajuda humanitária e nos projetos conjuntos.

Uma fonte disse que, no encontro desta terça-feira, o Sul solicitou informações sobre o bombardeio à ilha e sobre o naufrágio da Cheonan. A Coreia do Norte nega ter torpedeado a embarcação.

Programa nuclear

A reuniões preliminares, as primeiras com caráter militar desde setembro, eliminam um dos obstáculos para o possível reinício do processo multilateral pelo qual potências mundiais ofereceriam ajuda em troca de a Coreia do Norte abandonar seu arsenal atômico.

Mas analistas permanecem céticos sobre as motivações de Pyongyang ao retomar esse processo, lembrando que o regime comunista já renegou promessas anteriores de se desarmar, e acabou usando doações para desenvolver seu programa nuclear, em vez de fins humanitários.

Depois de despejar bilhões de dólares no miserável país vizinho nas últimas duas décadas, Seul agora insiste que só enviará ajuda quando o Norte desmantelar totalmente seu programa nuclear.

"Quando eles (Coreia do Norte) precisam de algo, o que normalmente significa dinheiro, eles primeiro elevam as tensões, aí passam para a ofensiva de charme e começam a conversar para obter alguma coisa", disse Andrei Lankov, especialista em Coreia do Norte na Universidade Kookmin, em Seul. "Se eles não obtêm o que conseguem, voltam a chave para o modo de confronto."

Sob pressão dos Estados Unidos e da China, as duas Coreias reduziram o tom da sua retórica nas últimas semanas, concordando em manter negociações bilaterais. Isso seria o primeiro passo para a retomada do processo mais amplo, envolvendo EUA, China, Japão, Rússia e as duas Coreias.

O coronel norte-coreano Ri Son-kwin deu tapinhas no ombro de seu homólogo sul-coreano, o coronel Moon Sang-gyun, e os dois apertaram as mãos antes do início do evento na aldeia fronteiriça de Panmunjom. Os dois já se encontraram várias vezes nos últimos anos.

As duas Coreias permanecem tecnicamente em guerra, pois o conflito de 1950 a 1953 terminou com um armistício, e não com um tratado de paz. Dezenas de escaramuças e incidentes violentos ocorreram desde então.

*Com Reuters e EFE

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