EUA e Colômbia elogiam pedido de Chávez às Farc

Os governos dos Estados Unidos e da Colômbia elogiaram, nesta segunda-feira, o pedido do presidente da da Venezuela, Hugo Chavez, para que as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) encerrem a luta armada iniciada há mais de 40 anos. Chávez direcionou seu pedido ao novo líder da guerrilha, Alfonso Cano, durante seu programa semanal de rádio e TV Alô Presidente, transmitido no domingo.

BBC Brasil |

O porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Sean McCormack, afirmou que o pedido foi bem recebido pelo governo americano.

Segundo ele, a atitude deveria servir como um primeiro passo para o afastamento da Venezuela com qualquer relação que mantenha com os guerrilheiros.

O ministro da Defesa colombiano, Juan Manuel Santos, afirmou que a atitude do líder venezuelano pode reaproximar os dois países.

Santos afirmou ainda que o governo espera que o comentário de Chávez traga resultados concretos.

"Nosso objetivo estratégico principal é que nossos vizinhos colaborem na luta contra o terrorismo", afirmou.

O ministro do Interior da Colômbia, Carlos Holguin, afirmou que a declaração foi "surpreendente", já que o líder venezuelano é um "defensor e aliado da guerrilha".

Mudança
Durante o discurso, Chávez pediu o fim da luta armada e a entrega dos 39 reféns que ainda estão mantidos em cativeiro pelo grupo armado.

"Vamos soltem toda essa gente, há anciãos, mulheres, soldados doentes que têm 10 anos presos, já basta", disse Chávez, ao afirmar que os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e outros mandatários latino-americanos e europeus estão dispostos a trabalhar em favor de um acordo de paz na Colômbia.

"A luta armada está fora de lugar (...) a guerra de guerrilhas passou à história e vocês das Farc devem saber de uma coisa, vocês se converteram em uma desculpa do império para ameaçar a todos nós, são a desculpa perfeita", afirmou o líder venezuelano.

"Terroristas"
Essa foi a primeira vez que Chávez utiliza um tom enérgico para criticar o método utilizado pela guerrilha fundada há 44 anos por Manuel Marulanda Vélez ou Tirofijo (tiro-certeiro em tradução literal), cuja morte foi anunciada há 15 dias.

Desde 2001, o governo da Colômbia, dos EUA e alguns países da União Européia qualificam as Farc como grupo terrorista. O novo discurso mostra uma mudança na atitude de Chávez, que há poucos meses pediu ao resto mundo que enxergasse a guerrilha como um exército legítimo.

As críticas de Chávez também ocorrem em meio a um ambiente de tensão entre seu governo e o de seu colega colombiano Álvaro Uribe, que o acusa de manter vínculos com o grupo armado.

O mandatário venezuelano nega as acusações e afirma que os contatos estabelecidos com as Farc foram realizados apenas quando Bogotá solicitou sua intervenção para mediar o acordo humanitário que previa a libertação de reféns em troca de guerrilheiros presos.

A crise diplomática na região andina, que também envolve o Equador, começou no dia 1º de março, quando o Exército colombiano realizou uma incursão militar em território equatoriano para eliminar um acampamento da guerrilha.

Na operação, foi morto Raúl Reyes, o número dois das Farc.

*Colaborou Claudia Jardim

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