EUA e China detêm chave em diálogo sobre pacto de clima

Por Emma Graham-Harrison e Jeff Mason COPENHAGUE (Reuters) - Líderes mundiais tentam resgatar um acordo climático global nesta sexta-feira, mas o fato de os maiores emissores mundiais de gases-estufa, China e Estados Unidos, não terem apresentado propostas novas bloqueou as chances de um pacto de grande alcance.

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O presidente dos EUA, Barack Obama, e outros líderes estão tentando chegar a um consenso sobre cortes nas emissões de carbono, ajuda financeira a países pobres, imposição de limites à temperatura e escrutínio internacional das medidas de restrição das emissões. Foram feitos avanços em algumas áreas, mas permanecem divergências em relação às metas de emissões e ao monitoramento, disseram delegados.

"Estamos dispostos a concluir isto hoje, mas é preciso haver movimento de todas as partes, para reconhecer que agir é melhor para nós do que conversar," disse Obama à conferência.

"Estas discussões internacionais vêm essencialmente acontecendo há quase duas décadas, e temos muito pouco de concreto para mostrar em consequência delas que não um aumento, uma aceleração do fenômeno da mudança climática. A hora de conversar já acabou."

Está em jogo um acordo sobre ações globais coordenadas para evitar mudanças climáticas que incluem mais secas e enchentes. Em duas semanas de negociações em Copenhague, os países procuraram combater as desconfianças entre países ricos e pobres em relação a como dividir os cortes nas emissões.

Em discurso que não estava programado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou estar "frustrado" com o rumo das negociações.

Os países em desenvolvimento, entre os quais estão alguns dos mais vulneráveis às mudanças climáticas, dizem que as nações ricas têm a responsabilidade histórica de liderar.

Andreas Carlgren, ministro do Meio Ambiente da Suécia, atual presidente da UE, disse que os EUA e a China têm nas mãos a chave para um acordo. Os EUA chegaram à mesa de negociações atrasados com compromissos para enfrentar as mudanças climáticas, disse ele. A resistência que a China opõe ao monitoramento é um obstáculo sério.

"E as grandes vítimas disto são o grande grupo de países em desenvolvimento. A UE queria realmente ajudar o grande grupo de países em desenvolvimento. Isso se tornou impossível devido às grandes potências", disse Carlgren.

A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, chegou a Copenhague na terça-feira com uma promessa de que os EUA se juntarão aos esforços para mobilizar 100 bilhões de dólares por ano para ajudar os países pobres a enfrentar as mudanças climáticas, desde que seja fechado um acordo.

Mas não houve nenhum gesto novo desse tipo vindo de Obama.

Ele se ateve à meta de reduzir as emissões de gases-estufa em 17 por cento até 2020 em relação aos níveis de 2005. Isso representa 3 a 4 por cento em relação a 1990, comparado com a meta da UE de 20 por cento.

O premiê chinês, Wen Jiabao, também reiterou as metas existentes, mas disse que seu país, maior emissor mundial de carbono, pode ultrapassá-las.

"Vamos honrar nossa palavra com ação real", disse Wen.

"Seja qual for o resultado que esta conferência produza, estaremos plenamente comprometidos em alcançar ou até mesmo superar a meta."

Falando após o discurso de Obama, um funcionário britânico disse: "As perspectivas de um acordo não são boas. Vários países-chave estão criando obstáculos ao pacote geral, e o tempo está se esgotando."

(Com reportagem adicional de Alister Doyle, Gerard Wynn, Anna Ringstrom, John Acher, Jeff Mason, Richard Cowan e Emma Graham-Harrison)

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