Segundo Thomas White, países se esforçaram para não repetir episódio colombiano

O cônsul-geral dos Estados Unidos em São Paulo, Thomas White, afirmou nesta quinta-feira que Brasil e EUA tomaram cuidados para que o acordo na área de Defesa, assinado na segunda-feira, não criasse polêmica entre países latino-americanos.No ano passado, um acordo militar que previa o uso de bases na Colômbia por forças americanas provocou críticas dos países da região, entre eles o Brasil. Na época, o governo brasileiro chegou a cobrar explicações de Washington e Bogotá.

Segundo Thomas White, Brasil e EUA tentaram evitar que a polêmica se repetisse. "Temos capacidade de aprender", afirmou White. "Os dois países consultaram os vizinhos na região antes do anúncio do acordo, coisa que não foi muito bem feita no caso da Colômbia".

White reforçou que, ao contrário do acordo colombiano, esse não prevê que os Estados Unidos utilizem bases militares no território brasileiro. Segundo ele, a "ampla colaboração" com a Colômbia ocorre a pedido do governo colombiano, especialmente para combater as Farc. "É uma situação diferente", disse. "Isso não é uma questão para o Brasil."

De acordo com o cônsul-geral, o acordo assinado na segunda-feira "formaliza a intenção" de aumentar a cooperação entre os dois países na área de defesa. "É mais uma indicação de intenções do que a criação de uma estrutura", explicou. "A ideia é incentivar uma colaboração cada vez mais ativa, mais rica e mais profunda entre os setores militares."

O consulado americano afirma que o documento promoverá cooperação nas áreas de pesquisa, desenvolvimento, logística e tecnologia; troca de informações sobre experiências operacionais; treinamento militar e educacional e exercícios militares conjuntos; além de troca de instrutores e estudantes em instituições de Defesa. "A ideia é ver onde nós podemos aprender com o outro", disse White.

O ministro brasileiro da Defesa, Nelson Jobim, afirmou na segunda-feira que o acordo abre caminho para a venda de aviões Super Tucanos da Embraer para as Forças Armadas americanas. Por sua vez, os Estados Unidos querem vender caças ao Brasil.

Segundo o cônsul Thomas White, nenhuma das questões está prevista no acordo, mas o documento pode facilitar esse tipo de transação. "Um maior entendimento entre os dois setores - lado americano e lado brasileiro - vai ajudar nas conversações sobre aquisições de tecnologia militar", afirmou. "Isso vai fazer parte do diálogo."

Irã

Questionado sobre a possibilidade de a aproximação entre o governo Lula e o de Mahmoud Ahmadinejad, presidente do Irã, representar uma ameaça ao aumento da cooperação entre Estados Unidos e Brasil, Thomas White disse que, embora a questão seja importante, as relações "não vão ser dominadas por um assunto só".

"É importante não exagerar o que está acontecendo entre Teerã e Brasília", afirmou. "Estamos observando, é uma coisa importante, mas a diferença entre EUA e Brasil é tática, não quanto aos resultados que estamos buscando."

Segundo White, o presidente Lula defende a possibilidade de mais diálogo com o Irã, enquanto os Estados Unidos acreditam que o país já mostrou que não vai discutir "seriamente" seu programa nuclear.

"A questão imediata é se precisamos de algo mais para convencer o governo iraniano a tratar do assunto. De vez em quando precisamos fazer mais do que falar", afirmou White, em referência a uma possível nova rodada de sanções ao Irã, que será negociada no Conselho de Segurança da ONU. "As sanções não são o fim", acrescenta. "Queremos abrir um caminho para conversar e resolver a situação."

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